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Agricultores gaúchos apontam limites de renda, clima e sucessão no campo

Levantamento com 662 agricultores mostra dificuldades para investir, negociar a produção e garantir a continuidade das famílias nas propriedades.

Agricultores gaúchos apontam limites de renda, clima e sucessão no campo

Menos da metade dos agricultores familiares ouvidos em uma pesquisa da Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar do Rio Grande do Sul (Fetraf-RS) planeja investir em melhorias nas propriedades. O levantamento mostra que 45,8% pretendem fazer novos investimentos, enquanto 53,8% devem manter as unidades nas condições atuais. Outros 16,6% consideram arrendar a área e 5,3% avaliam vender a terra ou deixar a atividade.

Os dados foram apresentados na quarta-feira (2), durante a Expointer, em Esteio (RS), em um seminário dedicado às mudanças necessárias na produção e na comercialização. A pesquisa ouviu 662 agricultores familiares de 34 municípios e deu origem ao livro “Agricultura Familiar em Transformação: Realidade da Agricultura Familiar na Base da Fetraf-RS”. O estudo foi desenvolvido pela Fetraf-RS com pesquisadores de cinco universidades.

Uma estrutura produtiva sob pressão

O diagnóstico registra a especialização das propriedades, o envelhecimento da população rural, os obstáculos à sucessão familiar, a concentração da terra e a dependência de insumos e tecnologias externas. Os grãos estão presentes em 77,2% das unidades pesquisadas.

A Fetraf-RS relaciona esse cenário às dificuldades de continuidade das famílias no campo. A entidade defende a construção de alternativas baseadas em diversificação, autonomia, garantia de renda, cooperação, assistência técnica e fortalecimento dos circuitos curtos de comercialização. Também propõe sistemas produtivos mais adaptados às pequenas propriedades.

Felipe Toniolo, coordenador de Formação da Fetraf-RS, afirmou que o processo começou em 2021, quando a organização decidiu investigar de forma mais detalhada a realidade de sua base. A entidade procurou universidades, reuniu pesquisas já existentes e elaborou questionários para agricultores e dirigentes sindicais. Os participantes foram sorteados, e pesquisadores aplicaram as entrevistas.

Segundo Toniolo, o método buscou dar consistência ao diagnóstico e produzir informações para orientar a atuação sindical e a elaboração de um novo projeto estratégico para a agricultura familiar.

Clima e comercialização ampliam os riscos

Secas, enchentes, vendavais e granizo foram apontados no seminário como fatores que se somam às dificuldades de renda. Para a Fetraf-RS, a resposta não deve se limitar ao apoio posterior aos desastres: é necessário reduzir custos, preservar o solo, ampliar a autonomia das propriedades e diminuir sua vulnerabilidade às variações climáticas.

A comercialização é outro ponto de tensão. O professor Sérgio Schneider, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), afirmou que muitos agricultores têm pouca influência sobre o valor recebido pela produção. “A maior parte dos nossos agricultores não vende a sua produção, a produção deles é vendida”, disse.

Na avaliação do pesquisador, compras públicas e circuitos de proximidade podem melhorar a remuneração, embora não absorvam toda a produção. Ele também defendeu investimentos em pesquisa e extensão rural, especialmente diante das mudanças no clima.

Trabalho e políticas públicas

Everton Lazzaretti Picolotto, professor da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), tratou das condições de trabalhadores empregados temporariamente em cadeias da soja, da pecuária e da fruticultura. Ele mencionou a presença de agricultores familiares, assentados, indígenas, migrantes de outros estados e trabalhadores estrangeiros em diferentes etapas dessas atividades. Também defendeu o fortalecimento dos sindicatos diante das transformações no trabalho rural.

A professora Catia Grisa, da UFRGS, destacou que a existência de programas não garante sua efetividade. Para que as políticas cheguem às propriedades, são necessários extensionistas, orçamento, equipes e estrutura nos territórios.

Vinícius Frizzo Pasquotto, chefe da Divisão de Articulação da Superintendência Federal do Desenvolvimento Agrário no Rio Grande do Sul, reconheceu dificuldades na implementação das ações. Segundo ele, a orientação oferecida por sindicatos e serviços de extensão nem sempre aparece na intermediação das instituições financeiras. Com isso, linhas de crédito que permitem diferentes usos podem acabar financiando o padrão produtivo predominante em cada região.

Para Douglas Cenci, coordenador-geral da Fetraf-RS, o debate envolve as condições de vida, a identidade e as perspectivas de futuro dos agricultores, além das técnicas e culturas adotadas. A entidade pretende usar o diagnóstico para formular alternativas que articulem renda, condições de trabalho, adaptação climática e permanência no campo.

O seminário também marcou o lançamento de “Novos Estudos sobre Mercados e Agricultura Familiar”, “O campo em disputa: sobre sindicalismo e trabalho rural” e “Políticas alimentares e capacidades estatais, os governos locais e os desafios de servir à mesa”.

Texto produzido pela Redação Diário de Contexto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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