RIO DE JANEIRO — Artistas e profissionais da cultura mobilizam-se para manter gratuito o modelo de ocupação do Centro Cultural dos Correios (CCC), no centro do Rio. A iniciativa ocorre enquanto a estatal revisa as regras de cessão de seus espaços culturais e avalia mudanças que podem incluir a cobrança de taxas para exposições.
Os Correios informaram que estão revisando o modelo de uso dos equipamentos, com foco na otimização de recursos e na sustentabilidade. A empresa não detalhou os novos critérios, mas afirmou que as exposições já programadas seguirão as regras atuais até dezembro de 2026. Para 2027, as tratativas com proponentes e produções culturais ainda estão em andamento.
O CCC não aparece na lista de imóveis anunciados recentemente para leilão. Mesmo assim, a possibilidade de alteração na forma de ocupação gerou preocupação entre artistas, que defendem a continuidade de projetos gratuitos em um dos equipamentos do chamado Corredor Cultural do Rio de Janeiro, ao lado do Centro Cultural do Banco do Brasil (CCBB) e da Casa França Brasil.
Manifesto pela manutenção do espaço
Um manifesto online em defesa do centro já reúne mais de 1.500 assinaturas. O documento pede a preservação do modelo público, gratuito e democrático e afirma que o espaço oferece uma plataforma acessível a artistas emergentes e a um público diverso. Também critica a possibilidade de encerramento das atividades ou de cobrança de aluguel para as exposições.
Luiz Ricardo Leitão, professor associado da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) e coordenador do projeto editorial Decanos da Arte Popular, está entre os defensores da manutenção do formato atual. Para ele, a preservação do CCC está ligada à difusão da cultura brasileira. “Quem não difunde a cultura, e em particular a própria cultura, não consegue se reconhecer no horizonte dos povos”, afirmou.
O centro recebe exposições de diferentes expressões artísticas, da cultura popular a gravuras de Rembrandt. Seu auditório é usado para lançamentos, filmes e apresentações teatrais, enquanto a praça recebe projeções e eventos ao ar livre. A mobilização pede que as exposições não sejam suspensas a partir de 2027.
Imóvel histórico foi leiloado
Entre os imóveis dos Correios leiloados no país está o prédio que abrigou a antiga sede nacional do Correio Geral, na Rua Primeiro de Março, no centro do Rio. Construído em 1878, durante o Segundo Reinado, o edifício estava desocupado e foi vendido por R$ 53.598.124,72.
O imóvel é tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) desde 1990, por integrar o conjunto arquitetônico e urbanístico da Praça 15 e estar protegido pelo Corredor Cultural do Rio de Janeiro.
O Iphan informou que o novo proprietário deve registrar a transferência no Cartório de Registro de Imóveis e comunicar o instituto em até 30 dias. A responsabilidade pela integridade e pela manutenção do prédio permanece com o detentor, que precisa submeter previamente ao órgão propostas de restauração, conforme a Portaria nº 289/2025.


