RIO DE JANEIRO — O Viradão Cultural Suburbano abre sua sétima edição neste domingo (27), a partir das 10h, com a distribuição de saquinhos de doces para crianças na Praça do Viseu, na Penha Circular. A ação homenageia Cosme, Damião, Doum, ibejis e erês e foi relacionada ao tema “Fé na Rua”, escolhido para o festival.
A tradição reúne famílias, vizinhos, igrejas, terreiros, instituições e moradores de diferentes bairros do Rio de Janeiro. A celebração de Cosme e Damião ocorre em ruas e praças no dia 27 de setembro, principalmente nos subúrbios cariocas. Doum é apresentado em imagens populares e nos terreiros como uma terceira criança associada à tradição da Umbanda.
Cláudio Jorge, vice-presidente do Instituto Cultural 100% Suburbano e um dos fundadores do Viradão, afirmou que a prática expressa partilha e afeto no encontro entre manifestações religiosas e cultura popular. Para ele, a tradição envolve as crianças e a esperança de um mundo melhor, além de contribuir para o enfrentamento da intolerância e do racismo religioso.
Programação do Viradão
A distribuição de doces será o primeiro evento da edição de 2026. O festival será realizado em diversos locais e está previsto para o primeiro fim de semana de novembro, quando prestará homenagem ao sambista Noca da Portela, compositor da MPB e referência da cultura suburbana carioca.
Criado em 2019 por artistas, produtores culturais, pesquisadores, coletivos e instituições dos subúrbios do Rio de Janeiro, o Viradão Cultural Suburbano promove atividades ligadas à produção cultural desses territórios. Ao longo de seis edições, o evento reuniu centenas de artistas e dezenas de instituições parceiras em shows, rodas de samba e choro, filmes, debates, exposições, lançamentos de livros, atividades formativas, gastronomia, teatro, dança e outras manifestações da cultura popular.
Jorge disse que a iniciativa pretende valorizar a ocupação das ruas do subúrbio, entendidas pelo festival como espaços culturais. A programação de 2026 propõe uma reflexão sobre as formas de manifestação da fé no cotidiano, nas festas populares, nos encontros de rua, nos gestos de solidariedade e nas práticas que constroem pertencimento e memória coletiva.



