Faltando pouco mais de uma semana para o primeiro turno, as pesquisas descritas no texto apontam empate técnico entre Lula e Flávio Bolsonaro. A possibilidade de uma vitória de Lula na primeira etapa perdeu força, enquanto a antecipação do voto útil tende a beneficiar o candidato do PL na reta final.
A terceira via também não aparece como alternativa capaz de romper a polarização. Augusto Cury não deve ultrapassar 6%, segundo a PoderData, e as candidaturas de Ronaldo Caiado, Romeu Zema e Renan Santos são apresentadas como tentativas sem perspectiva de se tornar o Plano B da extrema direita. Ainda assim, os candidatos menores podem ter peso no resultado: os 15% ou 20% de votos atribuídos a esse grupo podem empurrar a eleição para o segundo turno.
Nesse cenário, o eleitor moderado é apontado como decisivo. Trata-se principalmente de quem ganha entre dois e cinco salários mínimos, tem ensino médio e vive no Sudeste. A crise do STF não teria alterado os números das pesquisas, mas colocou a corrupção no centro da campanha. Para o cientista político Jairo Nicolau, esse ambiente pode elevar a abstenção e os votos brancos e nulos, embora ainda seja difícil saber qual candidato seria favorecido.
As estratégias de Lula
Na última semana, Lula ampliou a ofensiva em diferentes frentes. Em seu discurso na assembleia da ONU, adotou uma abordagem mais doméstica e enfatizou a soberania brasileira, incluindo a oposição à ingerência estrangeira nas eleições e nos minerais críticos. O texto relaciona essa preocupação ao relatório da Abin e às ações do PT no TSE e no STF sobre financiamento estrangeiro na campanha de Bolsonaro.
Também houve uma aproximação com o alto empresariado, em um jantar organizado pelos grupos Esfera e Prerrogativas. Entre as expectativas mencionadas no encontro está um compromisso com a austeridade. Outra aposta é a proibição das bets, proposta que teria recebido reação positiva nas redes sociais e estimulado Lula.
A campanha ainda busca garantir a presença de seus eleitores nos dois turnos, sobretudo entre pessoas com mais de 60 anos. Nesse grupo, a popularidade de Lula é descrita como maior, e o comparecimento às urnas serve como prova de vida do INSS.
O caso Master e a exposição de Flávio
As novas informações sobre o caso Master incluem uma suspeita de favorecimento envolvendo o ministro do STF Kássio Nunes em um julgamento de precatórios de interesse do banqueiro Daniel Vorcaro, além da aproximação entre Vorcaro e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre.
Flávio Bolsonaro também aparece relacionado ao banqueiro. Ele teria viajado no jatinho de Vorcaro e, em 2024, participado com Jair Bolsonaro de um jantar com ele. A Operação Carbono Oculto, ao investigar lavagem de dinheiro envolvendo uma distribuidora de combustíveis, encontrou Antonio Carlos Freixo Junior, apontado como um dos patrocinadores do filme “Dark Horse”.
Em outra investigação, Flávio foi identificado em uma foto na África do Sul ao lado do senador Weverton Rocha e do advogado Willer Tomaz. O texto afirma que os dois são suspeitos de envolvimento no esquema de fraudes do INSS. Também registra que, em 2023, Flávio destinou uma emenda parlamentar de R$ 200 mil para “Peixe”, descrito como miliciano envolvido no assassinato de Marielle Franco.
A sucessão de episódios pode afetar a imagem do candidato, mas o ambiente político descrito é marcado por suspeitas distribuídas entre direita e esquerda. Enquanto Flávio enviou ao ministro André Mendonça uma ação contra Lula por envolvimento com Vorcaro, o ministro Luiz Fux demonstrou preocupação com visitas de Lulinha ao Senado. As certezas, porém, só devem surgir depois do dia 4 de outubro.


