O deputado polonês Dominik Tarczyński ameaçou ajudar a deportar duas brasileiras que votaram no exterior durante as eleições do último domingo (4). As eleitoras, apoiadoras do Partido dos Trabalhadores (PT), aparecem em uma imagem usando broches da legenda e fazendo com as mãos o símbolo de “L”, associado ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Tarczyński afirmou nas redes sociais que as brasileiras estariam disseminando o comunismo. Em uma publicação, escreveu: “Promover o comunismo na Polônia é constitucionalmente proibido! Livre-se dos comunistas no Brasil, assim como fizemos na Polônia. Vote no Flávio!”.
Apoio a Flávio Bolsonaro
O deputado também declarou apoio a Flávio Bolsonaro (PL) e comemorou o resultado do primeiro turno. O candidato bolsonarista terminou essa etapa com 47,03% dos votos, enquanto Lula alcançou 45,16%.
Tarczyński é integrante do partido Lei e Justiça (PiS) e do grupo Conservadores e Reformistas Europeus (ECR), no Parlamento Europeu. Ele ocupa uma cadeira na instituição desde 2019 e participa, entre outras atividades, da delegação responsável pelas relações com os Estados Unidos. O parlamentar é associado a posições nacionalistas e à proximidade com setores da extrema direita europeia e estadunidense.
A mensagem dirigida às brasileiras também se conecta ao lema político “Be Like Poland”, ou “Seja como a Polônia”. A expressão dá nome ao site do deputado, a uma campanha e a uma linha de produtos comercializados por ele. A proposta é apresentada como defesa da soberania nacional, de regras migratórias rígidas, de valores conservadores e de uma aproximação maior entre Polônia e Estados Unidos.
Na Polônia, a política de descomunização da memória pública ganhou força especialmente a partir da década de 2010. Em 2016, uma lei determinou a retirada de homenagens ao comunismo de espaços públicos: nomes ligados a pessoas, organizações ou acontecimentos associados ao regime não poderiam permanecer em ruas, praças, prédios públicos e outras estruturas.


