IRKUTSK — A Organização Mundial da Saúde (OMS) avalia como muito baixo o risco de um surto epidêmico na Europa após a morte de uma funcionária de laboratório na região russa de Irkutsk. Para a região, a avaliação é de risco moderado a baixo; para o restante da Rússia, baixo.
A vítima, Daria Shipilova, técnica do Instituto de Combate à Peste de Irkutsk, tinha 28 anos e morreu na noite de 2 de outubro. As autoridades russas ainda investigam se a peste pneumônica provocou a morte. Exames oficiais indicaram pneumonia grave de causa desconhecida, sem detectar no organismo da funcionária os microrganismos específicos com os quais ela trabalhava.
Christian Lindmeier, porta-voz da OMS, afirmou que todos os contatos da paciente foram identificados e monitorados. Até o momento, nenhum deles apresentou sintomas compatíveis com a doença.
Investigações e medidas adotadas
O Rospotrebnadzor, Serviço Federal de Vigilância Sanitária da Rússia, divulgou os resultados dos exames na última segunda-feira (5). Nesta terça-feira (6), a agência também negou informações sobre a adoção de medidas sanitárias reforçadas e restrições rigorosas em Irkutsk. O órgão classificou como falsa a circulação de um documento que anunciava essas providências.
Dmitry Peskov, porta-voz da presidência da Rússia, pediu que as informações divulgadas pelo Rospotrebnadzor sejam usadas como referência. Ele disse não ter dados sobre a realização de autópsias e afirmou que novas informações serão apresentadas conforme o trabalho avance.
A funcionária havia quebrado, em 25 de setembro, um tubo de ensaio com o patógeno da peste pneumônica e começou a passar mal. Foi levada a um hospital, onde permaneceu por três dias antes de morrer. Em 4 de outubro, as autoridades informaram que a situação sanitária e epidemiológica em Irkutsk e Shelekhov permanecia estável.
Como precaução, parte do Hospital Shelekhov entrou em quarentena em 1º de outubro. Aproximadamente 200 pessoas ficaram sob observação, entre funcionários do instituto, médicos de emergência e outros pacientes; 189 foram temporariamente isoladas em hospitais. Nenhuma doença grave foi identificada entre os contatos. Houve dois testes positivos para coronavírus e outros dois casos de rinovírus, sem alterações que indicassem infecções particularmente perigosas.
A peste pneumônica é causada pela bactéria Yersinia pestis e pode ser transmitida pelo ar, de pessoa para pessoa. A doença evolui rapidamente, com período de incubação de um a três dias, e, sem tratamento, a mortalidade é de quase 100%.


