A eleição presidencial de 2026 é apresentada pelo professor Gladstone Leonel Júnior como uma disputa que ultrapassa a alternância entre Lula e a família Bolsonaro. Na avaliação do autor, o processo eleitoral também envolverá a soberania brasileira, a influência dos Estados Unidos e a possibilidade de interferências externas na política nacional.
O artigo afirma que a família Bolsonaro, por meio das manifestações de Eduardo Bolsonaro, que vive nos Estados Unidos, defende uma intervenção estrangeira no Brasil. Para Leonel Júnior, essa posição representa uma mudança em relação ao discurso de pátria e família associado ao grupo político e expõe uma orientação que ele classifica como antipatriótica e neocolonial.
Pressão externa e soberania
O autor menciona como exemplo de ingerência externa um tratado ratificado pelo Paraguai em 2026. Segundo a análise, o acordo estabelece que cidadãos estadunidenses que cometam crimes em território paraguaio não respondam às leis nem à Justiça do país. O texto também afirma que equipamentos do Departamento de Defesa dos Estados Unidos passaram a circular livremente no território paraguaio, sem inspeção.
Entre as medidas atribuídas ao governo dos Estados Unidos, o artigo cita pressão econômica por meio do tarifaço e da ampliação de sanções financeiras; ações diplomáticas e sanções individuais, incluindo a aplicação da Lei Magnitsky e o cancelamento de vistos de autoridades brasileiras; além da designação de facções criminosas regionais como organizações narcoterroristas.
O texto também relaciona essas ações ao envio de drones MQ-9 para a América do Sul, descritos como equipamentos destinados à vigilância e a ataques de precisão. Afirma ainda que países latino-americanos foram pressionados a reconhecer o PCC e o CV como organizações terroristas. De acordo com o artigo, 14 países aderiram a uma coalizão chamada “Escudo das Américas”.
Na hipótese de uma vitória de Lula, o autor considera possível que o governo dos Estados Unidos não reconheça o resultado e questione as urnas eletrônicas, ampliando a instabilidade política na região. No plano interno, ele associa a movimentação de processos no STF, próxima de 07 de setembro, a possíveis efeitos eleitorais.
A disputa política
A análise também recorre à ascensão de governos de extrema-direita em dois estados da Alemanha, depois da derrota do nazismo nos anos 1940. Para Leonel Júnior, o episódio reabre um alerta sobre a chegada de Hitler ao poder por vias legais e sobre a destruição da democracia a partir de dentro.
O autor apresenta o voto em Lula como uma tentativa de conter o fascismo e ganhar tempo para organizar a sociedade em torno de um projeto mais popular. Também sustenta que o colonialismo mental pode ser mais difícil de eliminar do que as formas econômica e política de colonialismo.
Ao concluir, Gladstone Leonel Júnior recorre a uma frase atribuída a San Martín: “Divididos seremos sempre escravos; unidos seremos os donos do nosso destino.” O artigo defende que soberania e independência não devem ser negociadas.
Gladstone Leonel Júnior é professor adjunto da Faculdade de Direito e do Programa de Pós-Graduação em Direito Constitucional da Universidade Federal Fluminense. O texto é um artigo de opinião, e as posições apresentadas são de responsabilidade do autor.


