PORTO ALEGRE — A poucos dias das eleições, a autora relata ansiedade diante da disputa e defende que o voto considere não apenas a Presidência, mas também a renovação do Congresso, o Senado e os governos estaduais. Entre panfletos e adesivos ainda não distribuídos, ela afirma temer a chegada de um miliciano ao poder e sustenta que a mudança política depende de uma escolha coletiva.
A preocupação se estende à possibilidade de vitória de um militar que, segundo a autora, é misógino e gordofóbico. Ela lembra o episódio em que Samia Bomfim (PSOL/SP) teria sido alvo de uma provocação envolvendo um remédio ou um hambúrguer, apresentada como tentativa de silenciá-la. Também manifesta receio de que Tarcísio vença Haddad em São Paulo e afirma que as decisões eleitorais não dizem respeito apenas a indivíduos, mas a toda a sociedade.
Congresso e Supremo Tribunal Federal
A autora imagina uma composição do Senado com Manu, Monica, Benedita, Simone, Marina, Marilia e Áurea Carolina. Na avaliação apresentada, a escolha dos parlamentares tem relação direta com o futuro do Supremo Tribunal Federal, já que o próximo governo poderá indicar até quatro novos ministros e ministras para a Corte.
Ela também menciona a entrevista concedida por Lula e destaca a defesa da capacidade de indignação. Ao tratar da imprensa, critica perguntas que, em sua avaliação, afirmavam inverdades e não permitiam resposta, além de lembrar que o presidente cobrou um pedido de desculpas por informações divulgadas sem provas.
A reflexão eleitoral se mistura à situação da família da autora na Argentina. O pai, de 88 anos, vive em um apartamento de dois quartos e sala, recebe uma aposentadoria que já não cobre todas as despesas e precisa de duas cuidadoras. O dinheiro obtido com a venda de um apartamento alugado está acabando; a aposentadoria paga o condomínio e parte dos medicamentos. A irmã da autora, professora aposentada, ajuda com os custos.
Relatos sobre a crise argentina
A autora afirma que a crise argentina atravessa diferentes grupos sociais, e não apenas a população pobre. Segundo o relato, pessoas aposentadas participam de manifestações realizadas toda quarta-feira e enfrentam repressão do governo. Ela associa essa situação às medidas adotadas por Milei e estabelece uma comparação com ideias autoritárias e com políticas que considera desumanas.
Também são apresentados relatos de Buenos Aires sobre o aumento dos suicídios na Argentina. A autora registra que o suicídio é apontado como a principal causa de morte entre jovens de 15 a 34 anos no país. Ela menciona ainda o caso de uma idosa que ateou fogo ao próprio corpo, de uma família que deixou o apartamento por não conseguir pagar o aluguel e passou a morar em um carro, e de uma amiga que está vivendo na casa de pessoas conhecidas porque também não consegue arcar com a moradia.
A autora relaciona a situação argentina ao apoio que Milei ofereceu ao campo bolsonarista no Brasil e à defesa de medidas semelhantes às adotadas na Argentina. Para ela, o avanço da pobreza está ligado à concentração de riqueza entre milionários, bilionários e trilionários: quanto maior a riqueza acumulada por alguns, maior seria o número de pessoas sem recursos.
Ao final, a autora recupera a imagem de um brinde entre poderosos no filme O Capital, de Costa-Gavras, e transforma essa cena em contraponto ao desejo de uma vitória compartilhada. O texto termina com um chamado para que o voto seja dado com consciência coletiva e para que a celebração política pertença a todos.


