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Festival de Sementes Crioulas reúne cerca de mil pessoas em Ponto Novo

Encontro debate soberania alimentar, mudanças climáticas e transição agroecológica no norte da Bahia.

Festival de Sementes Crioulas reúne cerca de mil pessoas em Ponto Novo

O Festival das Sementes Crioulas da Bahia reúne cerca de mil camponeses, guardiões e guardiãs da agrobiodiversidade, pesquisadores e integrantes de movimentos populares no Assentamento Terra Nossa, em Ponto Novo, no norte do estado. A quarta edição ocorre nos dias 18 e 19 de setembro, organizada pelo Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA) e pela Cooperativa de Produção e Comercialização Camponesa (CPC-BA).

Com o lema “Sementes Crioulas: Da Resistência Camponesa à Soberania dos Povos”, o encontro debate a preservação de variedades tradicionais como estratégia de enfrentamento às mudanças climáticas e de garantia de alimentos saudáveis. A discussão ocorre em meio às secas severas e às alterações no regime de chuvas que atingem o semiárido e a região Nordeste.

As sementes crioulas são selecionadas e adaptadas naturalmente, ao longo de gerações, aos biomas baianos Caatinga, Cerrado e Mata Atlântica. A programação também trata da autonomia das comunidades em relação às sementes e da formulação de políticas públicas para o setor.

Para Saiane Santos, dirigente do MPA na Bahia, a autonomia das sementes deve ser tratada como questão pública. “Para nós, a semente é indispensável para pensarmos a autonomia e a soberania dos povos”, afirmou. O festival também contribui para a atualização do Plano Nacional de Sementes do MPA, que organiza casas, campos e bancos comunitários pelo país.

Assentamento Terra Nossa

A escolha de Ponto Novo está ligada à trajetória do Assentamento Terra Nossa, cuja luta pela terra começou em 2008. Atualmente, o local abriga 60 famílias: 30 organizadas pelo MPA e 30 pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).

O assentamento fica em uma área de perímetro irrigado historicamente ocupada por monoculturas convencionais. No território, as famílias desenvolvem projetos de transição agroecológica irrigada, com foco na diversidade e na produção de alimentos sem veneno. Saiane Santos afirmou que o festival busca fazer o contraponto ao modelo do agronegócio difundido na área.

No primeiro dia, cerca de 500 delegados chegam em caravanas de mais de 60 municípios baianos para atividades de formação técnica e política. Os debates abordam soberania alimentar, enfrentamento ao agronegócio, produção de bioinsumos, educação do campo, saúde coletiva, direitos territoriais e a participação de crianças e jovens na preservação das sementes.

No segundo dia, a programação é aberta à comunidade regional com a Feira das Sementes Crioulas e da Sociobiodiversidade da Bahia. Agricultores de diferentes biomas trocam variedades de milho, feijão, fava, tubérculos e manivas. O encerramento terá um ato político e apresentações de samba de coco, forró pé-de-serra e poesias populares.

Histórico do festival

A iniciativa começou em 2016, em Feira de Santana, a partir de uma articulação entre camponeses e a Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB). A segunda edição ocorreu em Brumado, em 2018, quando foi lançada a campanha “Adote uma Semente”. A terceira foi realizada em Jacobina, em 2023, associando a produção de sementes ao combate emergencial à fome no estado.

Texto produzido pela Redação Diário de Contexto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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