PORTO ALEGRE — Juliana Brizola (PDT) reconheceu neste domingo (4) a derrota na disputa pelo governo do Rio Grande do Sul e afirmou que vai trabalhar pela candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva no segundo turno. Em um discurso de menos de dez minutos, a candidata destacou o avanço da extrema direita no país e especialmente no Sul.
Juliana agradeceu aos integrantes da chapa majoritária, incluindo o vice Edegar Pretto (PT) e os candidatos ao Senado Paulo Pimenta (PT) e Manuela d’Ávila (Psol). Manuela foi a única integrante da chapa que não compareceu ao ato. “Foi uma grande conquista unir o nosso campo. E sou muito grata a todos os nossos companheiros e companheiras. Dois milhões de votos não são pouca coisa”, disse Juliana.
A candidata também afirmou ter recebido uma ligação de Luciano Zucco, com quem conversou após a vitória do adversário. Ela disse que continuará mantendo divergências políticas, mas não pretende prejudicar o estado por causa delas. Zucco, do PL, foi eleito no primeiro turno. Desde a redemocratização, apenas Tarso Genro (PT), em 2010, havia alcançado esse resultado antes dele.
Ao mencionar o exílio do avô, Juliana declarou que o grupo permanecerá na resistência. Ela defendeu a eleição de Lula para a Presidência e disse que a nova derrota do atual presidente no Rio Grande do Sul precisava ser revertida. Entre as pautas citadas, mencionou a defesa das vacinas, das universidades e da soberania nacional.
Edegar Pretto agradeceu aos partidos aliados e afirmou que o desafio agora é defender Lula e reverter o resultado no estado e no país. Paulo Pimenta, que falou antes dos demais, reconheceu o peso da derrota e defendeu uma revisão da estratégia. Para ele, a prioridade é construir a vitória de Lula no segundo turno, defender a soberania e corrigir o que precisar ser melhorado.
A campanha acompanhou a apuração em um comitê na rua José Bonifácio, em frente ao Parque da Redenção, em Porto Alegre. Juliana chegou ao local às 20h25min, acompanhada da equipe, de dirigentes partidários e de Pimenta.
A militância aguardava a candidata desde o fim da tarde. Antes do fechamento das urnas, às 16h, havia nervosismo entre os apoiadores. A partir das 17h, uma dezena de militantes esperava sua chegada. Com o avanço da apuração e a confirmação da vitória de Zucco, a ansiedade deu lugar à tristeza. Às 19h06min, o carro de som em frente ao comitê reduziu o volume.
O ex-governador Olívio Dutra (PT) também esteve no comitê durante a apuração. Com pouco mais de 60% das urnas apuradas, ele ainda demonstrava otimismo e classificou a eleição como especial por representar, em sua avaliação, uma ameaça à democracia. Romildo Bolzan Jr., presidente estadual do PDT, havia chegado por volta das 17h30 e minimizado as indicações das pesquisas de véspera, que apontavam crescimento de Zucco e a possibilidade de vitória no primeiro turno.



