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Lula ameaça encerrar bets e rejeita classificar PCC e CV como terroristas

Em entrevista em Brasília, presidente também defendeu mudanças no STF, combate financeiro ao crime e preservação de benefícios sociais.

Lula ameaça encerrar bets e rejeita classificar PCC e CV como terroristas

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, afirmou que poderá fechar as casas de apostas online caso a regulamentação do setor não funcione. A declaração foi dada em entrevista gravada no domingo (27), no Palácio da Alvorada, uma semana antes do primeiro turno, marcado para 4 de outubro.

Lula disse que a decisão anunciada na sexta-feira (25) decorre da avaliação de que a tentativa de regular as bets, iniciada no começo de seu terceiro mandato, não produziu o resultado esperado. O presidente afirmou que o vício em apostas deve ser tratado como questão de saúde pública e classificou a ludopatia como uma doença comprovada pelo Ministério da Saúde.

Segundo Lula, o governo já retirou mais de mil sites ilegais do ar. Ele também afirmou que algumas operadoras tentam transmitir a partir de Portugal para escapar da fiscalização. O presidente criticou ainda a dependência de clubes em relação ao patrocínio das bets e disse que o futebol brasileiro foi pentacampeão mundial antes da existência desse modelo de financiamento.

Crime organizado e relação com os Estados Unidos

Na área de segurança pública, Lula rejeitou a classificação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas, defendida pelo governo de Donald Trump. Para o presidente, a violência praticada pelas facções não corresponde ao conceito político de terrorismo, embora imponha controle sobre favelas, ruas, escolas, padarias e campos de futebol.

No início de setembro, Trump afirmou que o Brasil falha no combate ao crime organizado e às duas facções. A analista Amanda Harumy avaliou que a posição do governo estadunidense pode tensionar o debate brasileiro e abrir caminho para uma intervenção mais direta, inclusive militar.

Questionado sobre a possibilidade de uma ação dos Estados Unidos contra o Brasil nos moldes do que ocorreu na Venezuela, Lula disse manter uma boa relação pessoal com Trump e atribuiu os atritos ao secretário de Estado, Marco Rubio. O presidente afirmou também que o Brasil pode recorrer à Lei da Reciprocidade caso as negociações comerciais não avancem.

A estratégia anunciada por Lula para enfrentar o crime organizado é atingir suas fontes de financiamento e os responsáveis pelo comando das estruturas criminosas. Ele criticou operações policiais letais, em referência a uma ação no Rio de Janeiro, e afirmou que pretende criar o Ministério da Segurança Pública após a aprovação da PEC da Segurança. Também mencionou a transformação de presídios em unidades de segurança máxima e a criação de uma força nacional permanente, aproveitando jovens dispensados depois do serviço militar temporário.

Benefícios sociais e mudanças no Supremo

Ao tratar do rombo da Previdência e do equilíbrio fiscal, Lula descartou cortes em benefícios sociais. Defendeu que os mais ricos sejam cobrados para financiar políticas voltadas aos mais pobres, gerar empregos e melhorar os salários.

O presidente também propôs que mulheres que exercem funções de cuidado e mães atípicas recebam remuneração, com a possibilidade de inclusão desse apoio no Benefício de Prestação Continuada (BPC). Sobre o reajuste do Bolsa Família, anunciado 17 dias antes do primeiro turno, Lula afirmou que a medida representa reposição da inflação, e não aumento. Ele atribuiu a decisão à existência de espaço fiscal e citou uma previsão de superávit de 0,1% no orçamento.

Lula defendeu ainda mudanças na escolha dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Entre as propostas estão a adoção de mandato fixo e a análise prévia das indicações por um colegiado com representantes de entidades como a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), centrais sindicais e organizações empresariais.

O presidente pediu investigação sobre denúncias envolvendo integrantes da Corte e citou Dias Toffoli, Alexandre de Moraes, André Mendonça e Luiz Fux. Também afirmou que a riqueza de um ministro é incompatível com a função quando ele recebe R$ 43 mil.

Texto produzido pela Redação Diário de Contexto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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