China e Estados Unidos anunciaram a redução de tarifas sobre US$ 60 bilhões em mercadorias e a ampliação das negociações em inteligência artificial, agricultura, investimentos e voos diretos. As medidas foram divulgadas após a visita do presidente chinês Xi Jinping a Washington e durante a segunda cúpula do ano com o presidente Donald Trump, encerrada na sexta-feira.
Cada país recomendou US$ 30 bilhões em comércio de bens não sensíveis para receber tratamento tarifário mais favorável. O pacote inclui produtos agrícolas, madeira e cosméticos dos Estados Unidos, além de pequenos eletrodomésticos, brinquedos e artigos de decoração chineses.
Produtos e trégua comercial
A China indicou que pretende reduzir tarifas sobre milho, trigo, sorgo, carne, laticínios, óleos vegetais e farinhas dos Estados Unidos. A lista também inclui peixes e frutos do mar, toras, produtos de madeira, cosméticos e dispositivos médicos. A soja ficou fora da relação.
Washington, por sua vez, prevê cortes para mercadorias chinesas como cafeteiras, torradeiras, louças, cobertores, roupas de cama e brinquedos. Também estão incluídos fogos de artifício, flores artificiais, iluminação para árvores de Natal, itens de decoração festiva e cadeirinhas infantis para carros.
Os dois governos decidiram prorrogar por dois meses a trégua comercial. O Ministério do Comércio da China informou que a extensão até 10 de janeiro permitirá avaliar o acordo em andamento e manter as discussões econômicas e comerciais. O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, havia dito que a trégua terminaria em 10 de novembro.
China e Estados Unidos também criarão um conselho comercial e um grupo de trabalho sobre agricultura. A primeira reunião desse grupo deverá ocorrer antes do fim do ano, com debates sobre acesso a mercados e regulamentação.
No setor agrícola, as reduções tarifárias foram associadas ao compromisso de compra de produtos americanos. O governo chinês afirmou que Pequim retomou a aquisição em grande escala de soja dos Estados Unidos, conforme um acordo para comprar 25 milhões de toneladas métricas por ano. A Casa Branca citou ainda um compromisso de US$ 17 bilhões em produtos agrícolas.
Energia, inteligência artificial e serviços
A Casa Branca informou também que a China importará 10 milhões de toneladas métricas de carvão por ano dos Estados Unidos em 2027 e 2028. Gás natural liquefeito e petróleo não aparecem na lista divulgada.
Na área de inteligência artificial, os países manterão discussões sobre riscos e benefícios, com nova rodada prevista para novembro. Também será criado um canal para tratar de incidentes relacionados à tecnologia. Os comunicados mencionam ainda a adoção do termo superinteligência em lugar de inteligência artificial.
As autoridades informaram que a China analisará e aprovará instituições estrangeiras de serviços financeiros, inclusive com capital americano, para operar e abrir filiais no país. Os governos também manterão comunicação sobre o aumento dos voos entre os dois países e apoiarão a organização das próximas reuniões da Apec e do G-20.



