O governo da China confirmou neste sábado (26) um acordo com os Estados Unidos para reduzir reciprocamente tarifas comerciais no valor de US$ 30 bilhões, cerca de R$ 156 bilhões. O entendimento também prevê um canal permanente de diálogo sobre inteligência artificial (IA).
O acordo integra um consenso de oito pontos firmado após a visita de três dias do presidente chinês, Xi Jinping, a Washington, onde se reuniu com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O pacote comercial inclui bens de consumo e produtos agrícolas e busca diminuir as tensões entre os dois países.
Pelas condições anunciadas, os Estados Unidos terão facilidades para exportar à China produtos agrícolas, madeira, pescados, cosméticos e dispositivos médicos. A China, por sua vez, terá condições favoráveis para enviar ao mercado estadunidense pequenos eletrodomésticos, brinquedos, itens de decoração e cadeiras automotivas infantis.
Compromissos comerciais e tecnológicos
A China também se comprometeu a importar pelo menos 10 milhões de toneladas métricas de carvão dos Estados Unidos nos anos de 2027 e 2028. O acordo estabelece ainda a criação de um Conselho de Investimento bilateral e de um grupo de trabalho dedicado às barreiras agrícolas.
O anúncio veio depois que os dois países decidiram estender por dois meses a trégua comercial que terminaria em 10 de novembro. Para o Tesouro dos Estados Unidos, a prorrogação abre prazo adicional para a negociação de um tratado econômico mais amplo.
Na área de tecnologia, China e Estados Unidos concordaram em criar o Diálogo EUA-China sobre a regulamentação, as salvaguardas e a avaliação de riscos e benefícios de tecnologias emergentes associadas ao conceito de superinteligência. A próxima rodada de conversas está prevista para novembro e deverá incluir um canal direto para evitar incidentes envolvendo sistemas de IA.
O consenso inclui também apoio mútuo à organização das próximas cúpulas da Cooperação Econômica Ásia-Pacífico (Apec) e do G20. Os governos assumiram ainda o compromisso de que o Irã não desenvolva armas nucleares e manifestaram posição conjunta contra a cobrança de taxas de trânsito em vias de navegação internacional.


