NOVA YORK — O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou a atuação dos Estados Unidos na Venezuela e afirmou que a soberania do país foi comprometida pela ingerência do governo estadunidense. A declaração foi dada nesta segunda-feira (21), em entrevista à jornalista Christiane Amanpour, da CNN Internacional.
“É muito grave o que os Estados Unidos fizeram com a Venezuela”, disse Lula. Para o presidente, documentos e acordos indicam que os Estados Unidos passaram a exercer uma posição de comando sobre o país vizinho. Ele afirmou que essa situação prejudica os Estados Unidos, a Venezuela e a democracia.
Lula está em Nova York para participar da 81ª Sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas. Durante a entrevista, defendeu a realização de novas eleições presidenciais na Venezuela. A última eleição, em 2024, não foi reconhecida pelo governo brasileiro, em uma posição descrita como inédita para a diplomacia do país.
O presidente também afirmou que seria necessário construir uma parceria com a Venezuela e disse que, se estivesse no lugar de Delcy Rodríguez, convocaria eleições nacionais para que a população escolhesse o próximo presidente.
Críticas à política dos Estados Unidos
Lula avaliou que a condução das relações diplomáticas pelo governo de Donald Trump viola princípios de convivência internacional. Ele criticou declarações de Trump sobre o controle do petróleo venezuelano e a condução da relação com Delcy Rodríguez, afirmando que essa não seria a melhor forma de conduzir a política internacional dos Estados Unidos.
Na entrevista, Lula também disse que Nicolás Maduro deve ser julgado caso tenha cometido algum erro, mas defendeu que o processo seja precedido por investigação e não conduzido unilateralmente por outro país. A fala ocorreu após uma operação militar dos Estados Unidos contra a Venezuela que, conforme o texto, resultou em mais de uma centena de pessoas e incluiu o sequestro de Maduro e da primeira-dama Cilia Flores. O texto também registra a ausência de provas contra o presidente venezuelano.


