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Luto e trabalho fazem ciclista rever dependência do automóvel

Após acompanhar a esposa em tratamentos contra o câncer, autor relata recaída no uso do carro e critica a política cicloviária de São Paulo.

Luto e trabalho fazem ciclista rever dependência do automóvel

O uso do automóvel voltou a fazer parte da rotina de um ciclista que defendia realizar todos os deslocamentos de bicicleta. A mudança ocorreu durante os mais de 15 meses em que acompanhou a esposa, Fernanda, em visitas a centros médicos e hospitais para o tratamento de um câncer de ovário. Ela morreu no último mês de junho.

Durante esse período, ele passou a dirigir com frequência, inclusive em engarrafamentos na Marginal do Tietê. A prioridade, segundo o relato, era preservar o conforto da esposa e não acrescentar tensão à rotina marcada por quimioterapias, radioterapias, antibióticos e outros procedimentos. O luto e uma tarefa temporária para a qual o carro é fundamental prolongaram essa dependência.

O autor afirma que também continuará usando o Chevrolet em situações específicas, como visitas a amigos em domingos chuvosos ou compras em um supermercado mais distante. Ao mesmo tempo, pretende equilibrar o automóvel com a bicicleta e o transporte público.

A frustração com a política cicloviária

A retomada do carro é associada ainda à frustração com os rumos da mobilidade em São Paulo. O relato sustenta que a cidade abandonou metas do Plano de Mobilidade e passou a tratar a bicicleta como tema pontual, e não como parte de uma política sistêmica.

A crítica começa em 2016, quando João Doria assumiu a Prefeitura e interrompeu projetos de expansão de ciclovias e ciclofaixas. Bruno Covas teria retomado parte das iniciativas, com a implantação de cerca de 140 quilômetros, mas, após sua morte, Ricardo Nunes passou a priorizar a mobilidade por motocicletas. Para o autor, a presença de motos nas estruturas cicloviárias aumentou o risco para quem pedala.

A cidade teria chegado a mais ou menos 700 km de estruturas para bicicletas, mas o uso delas continuaria limitado pelo medo de atropelamentos. O texto diferencia ciclofaixas, pintadas no asfalto, de ciclovias, separadas da via por estruturas físicas, como a da Faria Lima.

A ponte do Jaguaré

No Jaguaré e no Rio Pequeno, bairros com quase 200 mil habitantes, a conclusão da ciclovia da Ponte do Jaguaré é apresentada como um problema antigo. A conexão foi aprovada pelo Fundurb há 10 anos e licitada, mas as obras teriam avançado apenas no canteiro central da Avenida Queiroz Filho, sem alcançar a ponte.

A travessia é apontada como a única ligação entre esses distritos e áreas como o Parque Villa-Lobos, a Ceagesp, a Vila Leopoldina e a Lapa. Uma contagem da Ciclocidade registra cerca de 400 ciclistas nos horários de pico na ponte, número superior ao da ponte da Cidade Universitária, cuja ciclovia foi construída na mesma licitação.

Sem uma estrutura concluída, ciclistas precisam usar passeios estreitos e irregulares ou disputar espaço com o tráfego pesado. O autor afirma ter levado o tema às reuniões da Câmara Temática da Bicicleta, vinculada ao Conselho Municipal de Transportes e Trânsito, mas diz que as justificativas apresentadas pela prefeitura não resultaram na conclusão da obra.

A vereadora Renata Falzoni também é mencionada como alguém a quem já foi pedido apoio. O relato afirma que os problemas da licitação incluem ainda estruturas previstas para a avenida Mutinga, a Rua Alvarenga e a avenida Carlos Caldeira Filho.

A reflexão é relacionada à experiência de Kea Wilson, que cuidou do pai durante um câncer e chegou a viajar até 160 km por dia para levá-lo a médicos na zona rural do estado de Ohio. A situação, descrita por ela, levou a uma revisão de posições sobre transporte e mobilidade. Para o autor, recorrer ao carro em períodos de doença, cuidado e luto não elimina a defesa da bicicleta, mas expõe os limites de uma cidade que não oferece alternativas adequadas em todas as situações.

Texto produzido pela Redação Diário de Contexto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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