BRASÍLIA — A Polícia Federal abriu uma frente de investigação sobre o financiamento de R$ 3,1 milhões contratado pelo senador e candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) para comprar uma mansão em uma área nobre de Brasília, avaliada em R$ 6 milhões.
O contrato foi firmado em 2021 pelo Banco de Brasília (BRB), então presidido por Paulo Henrique Costa. A taxa prevista era de 3,71% ao ano, abaixo da média de 4,85% praticada pelo banco naquele período. Embora o pagamento tenha sido dividido em 30 anos, Flávio quitou o financiamento em três.
Relação com investigação sobre o BRB
Costa foi preso em 16 de abril deste ano na Operação Compliance Zero, que também prendeu o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. A Polícia Federal acusa o ex-presidente do BRB de não seguir práticas de governança e de permitir negócios entre os dois bancos sem lastro, isto é, sem garantias que sustentassem os valores envolvidos.
A investigação também considera que Flávio recebeu R$ 61 milhões de Vorcaro, supostamente para financiar o filme “Dark Horse”, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, preso por tentativa de golpe de Estado.
As condições do empréstimo imobiliário já haviam sido questionadas em uma auditoria independente contratada pelo BRB após a mudança na diretoria. O relatório foi entregue à Polícia Federal em fevereiro.
Quando a compra da mansão veio a público, Flávio Bolsonaro afirmou que a operação era legal. Ele atribuiu a antecipação do pagamento à venda do imóvel onde morava e à participação em uma loja de chocolates da qual era sócio.
A franquia da Kopenhagen no Shopping Via Park, na Barra da Tijuca, é investigada pelo Ministério Público do Rio de Janeiro. O órgão apontou que a unidade teria sido usada para lavar dinheiro do esquema de “rachadinhas” no gabinete de Flávio na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro.



