A Procuradoria Nacional Financeira da França pediu nesta segunda-feira (28) quatro anos de prisão para Rachida Dati, ex-ministra e atual prefeita de um distrito de Paris. A acusação também solicitou que ela fique inelegível por cinco anos, com efeito imediato, e seja impedida de exercer a advocacia e cargos públicos pelo mesmo período.
O órgão pediu ainda quatro anos de prisão para Carlos Ghosn, ex-presidente da Renault-Nissan. A solicitação está relacionada a um mandado de prisão internacional contra ele. Ghosn é julgado à revelia e vive no Líbano desde 2019, depois de fugir do Japão, onde respondia a acusações de fraude financeira.
Contrato sob investigação
Segundo os promotores, Dati recebeu 900 mil euros de uma subsidiária da Renault-Nissan por um contrato de consultoria jurídica assinado em outubro de 2009. A acusação sustenta que o acordo encobria atividades de lobby no Parlamento Europeu, onde ela era deputada.
A procuradora Carolina Genin afirmou à Justiça francesa que os fatos julgados provocaram dano à democracia. O procurador Julien Augereau disse que a possível volta de Dati à magistratura não poderia ocorrer sem afetar a imagem da Justiça. A proibição de ocupar cargos públicos alcançaria essa tentativa de retorno.
Dati foi ministra da Justiça no governo de Nicolas Sarkozy e ministra da Cultura no governo de Emmanuel Macron. A defesa pretende pedir sua absolvição e afirma que ela prestou serviços jurídicos efetivos à aliança Renault-Nissan em assuntos relacionados ao Marrocos, à Argélia e ao Irã. O advogado Antoine Beauquier declarou que a acusação equivaleria a uma morte civil.
Ghosn nasceu em Porto Velho (RO). Em agosto, o tribunal rejeitou o pedido para que ele participasse das audiências por videoconferência a partir de Beirute.


