Rosa Amorim (PT-PE) será a primeira mulher sem terra a ocupar uma cadeira na Câmara dos Deputados. Aos 26 anos, a deputada estadual por Pernambuco foi eleita com mais de 144 mil votos e integra a primeira geração de assentados que nasceu e cresceu em terras resultantes da reforma agrária.
Nascida em 25 de julho, data que reúne o Dia da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha e o Dia Nacional Tereza de Benguela, Amorim foi criada no Assentamento Normandia, em Caruaru. Ela se define como uma mulher negra e lésbica.
Formada em Teatro pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), iniciou desde cedo sua aproximação com as lutas do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). Também passou pelo Levante Popular da Juventude e pelo departamento de Cultura da União Nacional dos Estudantes (UNE).
Entre as bandeiras que defende estão o combate à fome, a valorização da agricultura familiar e os direitos da população negra, da comunidade LGBT+ e das mulheres, além da cultura popular. Amorim está entre as oito candidaturas ligadas ao MST que conquistaram vaga no Senado, movimento que marca a entrada da organização na política institucional.
Em entrevista, a deputada afirmou que a presença do MST no Congresso é importante porque o movimento representa lutas por terra e por dignidade. Ela também disse que a organização esteve ao lado do presidente Lula durante o período em que ele esteve preso, com o objetivo de garantir sua eleição em 2022.
Amorim declarou que pretende atuar pelos direitos de toda a classe trabalhadora e avaliou que a eleição de nomes ligados ao MST representa reconhecimento do movimento. Para ela, a renovação da esquerda, com uma bancada jovem do PT, deverá fazer frente à bancada da extrema direita e impedir retrocessos.
A deputada também relacionou o segundo turno à defesa da democracia e à soberania dos países vizinhos. Na avaliação dela, o resultado da eleição deverá ser uma resposta para o mundo e para a América Latina, além da disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro.


