Alexandre Ferreira Dias Santini, ex-sócio e antigo amigo de Flávio Bolsonaro (PL), manteve mensagens, fotografias e documentos que, segundo os registros, indicariam o pagamento de despesas pessoais do senador por pessoas próximas. O material inclui a compra de um Rolex de ouro branco avaliado em R$ 305 mil, gastos com equipamentos de academia e referências a festas com garotas de programa.
O Rolex Submariner Date teria sido comprado em fevereiro de 2022 pelo advogado Alan Belaciano. Embora a nota fiscal esteja em nome dele, mensagens atribuídas a Santini indicariam que o relógio foi adquirido para Flávio. Belaciano também teria pago mais de R$ 90 mil por equipamentos de academia instalados na casa do senador em Brasília.
Flávio já havia afirmado que esses equipamentos foram comprados por um amigo como um “empréstimo pessoal”, que seria quitado. Outros gastos mencionados nos registros incluem reparos na residência, uma televisão de 75 polegadas e mensalidades de academia.
Referência a Kassio Nunes Marques
Em dezembro de 2023, durante uma disputa financeira entre Flávio e Santini, o ex-sócio enviou ao senador uma mensagem na qual afirmava que ele havia tratado diretamente com Kassio Nunes Marques, ministro do Supremo Tribunal Federal, sobre os interesses de um cliente com processo no gabinete do magistrado.
O caso seria acompanhado por Belaciano e envolveria a marcação de um jantar com o chefe de gabinete de Kassio. O cliente e o processo não foram identificados, e não há comprovação independente de que a suposta intermediação tenha ocorrido. Na mensagem, Santini escreveu: “Vc falou diretamente com o Kassio Nunes e intermediou um cliente em um processo para tratarem disso”. Depois, Flávio teria marcado uma reunião com o ex-sócio em seu gabinete.
Santini também teria organizado encontros privados com garotas de programa dos quais Flávio participava. As mensagens incluem um pedido para que uma agenciadora organizasse nova “festinha” com o senador e outros amigos em um hotel no Rio de Janeiro.
O ex-sócio teria apresentado parte do material a Fernanda Bolsonaro durante a disputa financeira com Flávio. O episódio teria provocado uma crise no casamento. Em mensagem posterior, o senador teria dito que se arrependera de “muitas escolhas erradas” e que não pretendia “errar nunca mais” com a família.
Santini e Flávio foram sócios de uma franquia da Kopenhagen na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro. Em 2023, Santini cobrou R$ 1,4 milhão do senador por supostos prejuízos ligados ao encerramento da empresa. Flávio negou a dívida. Até a publicação, não havia manifestação dos envolvidos sobre os relatos.



