SÃO PAULO — Duas drogas sintéticas foram identificadas pela primeira vez no mundo em amostras de saliva de frequentadores de festas no estado de São Paulo. A descoberta foi realizada pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), que encontrou desclorocetamina (DCK) e 2-fluorodesclorocetamina (2-FDCK).
As duas substâncias são análogas à cetamina, anestésico de uso humano e veterinário de uso proibido. Elas têm efeitos dissociativos e podem provocar alterações perceptivas, agitação, alucinações, taquicardia, hipertensão e redução do nível de consciência.
As análises detectaram as drogas em quatro amostras. Em dois casos, os participantes disseram ter consumido somente “bala” ou “MD”, termos populares frequentemente relacionados ao MDMA. Os exames, porém, apontaram cetamina combinada com DCK e/ou 2-FDCK.
Alerta sobre os riscos
A identificação das substâncias levou o Sistema de Alerta Rápido sobre Drogas (SAR) a divulgar um comunicado em 4 de setembro. O sistema informou que ainda existem poucos dados sobre os efeitos e os riscos do consumo de DCK e 2-FDCK, principalmente em relação à toxicidade e às características farmacocinéticas e farmacodinâmicas.
“Para a 2-FDCK, já foram descritos casos de intoxicação grave, hospitalização e óbito”, afirma o comunicado, que também menciona situações de exposição a múltiplas substâncias.
Esse foi o sétimo alerta rápido sobre substâncias publicado pelo SAR em 2026. A lista inclui NMDMSB, protodesnitazeno, dipentilona e dimetocaína, além do precursor químico MMDPPA e de uma mistura de cocaína e fentanil. Em 2025, o sistema publicou outros seis alertas, com ocorrências relacionadas a nitazenos, canabinoides sintéticos, fenibut e metanol.


