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Ciência

Estudo estima limite de água para grandes cidades na Lua

Mesmo com reciclagem de 98% da água, uma população lunar de um milhão de pessoas esgotaria a reserva em pouco mais de um século.

Estudo estima limite de água para grandes cidades na Lua

Um estudo publicado na revista Frontiers in Space Technologies indica que a água pode limitar o tamanho e a duração de futuros assentamentos humanos na Lua. Mesmo com sistemas de reciclagem semelhantes aos da Estação Espacial Internacional, uma população de um milhão de pessoas consumiria a reserva conhecida em pouco mais de um século, considerando uma estimativa máxima de água disponível.

A análise foi baseada em diferentes tamanhos de assentamentos e em níveis variados de reaproveitamento da água. Sem reciclagem, uma população muito grande esgotaria até mesmo uma reserva de 1 bilhão de toneladas em apenas alguns anos. Com uma eficiência de aproximadamente 98%, como a alcançada pela Estação Espacial Internacional, a duração aumentaria, mas não permitiria sustentar indefinidamente uma megacidade lunar.

Reservas polares ainda são incertas

A água lunar identificada até agora está concentrada principalmente em crateras das regiões polares que não recebem luz solar direta. Essas áreas, conhecidas como armadilhas frias, podem registrar temperaturas inferiores a 110 kelvin (cerca de -163 °C), o que reduz a sublimação do gelo.

Parte do material pode ter chegado à Lua trazida por asteroides e outros corpos que atingiram sua superfície ao longo do tempo. Desde 2013, missões espaciais vêm localizando e mapeando possíveis depósitos nas regiões polares, mas a quantidade total permanece incerta.

O cenário mais favorável considerado pelo estudo trabalha com até 1 bilhão de toneladas de água. Estimativas mais recentes, porém, apontam para uma quantidade cerca de 30 vezes menor. Nesse caso, o período de sobrevivência cairia na mesma proporção. Uma cidade com milhares de moradores teria dificuldade para se manter autossuficiente por longos períodos, enquanto uma população de cerca de 1.000 pessoas poderia permanecer no satélite por séculos, especialmente com reciclagem eficiente e menor consumo.

Energia não seria o único obstáculo

A produção de energia não aparece como a principal barreira no cenário analisado. Áreas próximas às crateras polares recebem luz solar por períodos prolongados e poderiam abrigar painéis fotovoltaicos. Estruturas com quilômetros de altura cobertas por esses equipamentos poderiam gerar cerca de 3 gigaWatts de eletricidade.

O próprio regolito lunar contém silício, o que permitiria, em princípio, fabricar os painéis no satélite. Ainda assim, a disponibilidade de energia não resolveria o problema central da água, necessário para consumo, agricultura e manutenção da vida humana.

Possíveis alternativas

O estudo não conclui que a presença humana na Lua seja inviável. A principal conclusão é que assentamentos grandes e autossuficientes dependeriam de avanços tecnológicos e de fontes de água além das reservas atualmente conhecidas.

Entre as possibilidades estão sistemas de reciclagem mais eficientes, redução do consumo e técnicas agrícolas que usem menos água, como o cultivo vertical. Também existe a hipótese de transportar água de outros corpos celestes, incluindo asteroides relativamente acessíveis à Lua.

Outra alternativa seria procurar gelo em camadas mais profundas do solo lunar. As técnicas atuais alcançam apenas alguns metros abaixo da superfície, enquanto o regolito pode se estender por dezenas de metros. Se houver depósitos nessas regiões, eles poderiam ampliar significativamente a quantidade de água disponível e alterar as perspectivas para assentamentos lunares de grande porte.

Texto produzido pela Redação Diário de Contexto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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