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Ciência

Solo lunar pode guardar partículas deixadas por civilizações extraterrestres

Estudo do Instituto SETI propõe procurar na Lua fragmentos microscópicos de tecnologias alienígenas antigas ou ainda operacionais.

Solo lunar pode guardar partículas deixadas por civilizações extraterrestres
Foto: Eugene Cernan/Nasa/via The New York Times

Uma equipe ligada ao Instituto SETI propõe investigar o solo da Lua em busca de partículas microscópicas que poderiam ser vestígios de tecnologias produzidas por civilizações extraterrestres. O estudo está em processo de revisão por pares para a revista International Journal of Astrobiology e considera que fragmentos espalhados pela galáxia talvez tenham chegado ao Sistema Solar e se depositado na superfície lunar.

Como os detritos poderiam chegar à Lua

A hipótese parte da ideia de que estruturas tecnológicas muito avançadas também estariam sujeitas ao desgaste provocado pelo tempo e pelas forças erosivas do espaço. Naves, instalações de mineração ou grandes conjuntos de painéis solares poderiam liberar partículas à medida que se deteriorassem. Se uma civilização entrasse em colapso, esse processo poderia se intensificar.

Os pesquisadores modelaram como esses fragmentos se dispersariam pela galáxia e quais trajetórias poderiam levá-los até o Sistema Solar. A equipe também considerou que algumas partículas poderiam sobreviver ao impacto com a Lua. O processo tem um paralelo conhecido na atividade humana: satélites liberam material microscópico no espaço.

Lewis Pinault, cientista afiliado ao Instituto SETI e pesquisador do Birkbeck College, da Universidade de Londres, liderou a pesquisa. Para ele, a presença de partículas alienígenas na Lua seria uma possibilidade compatível com a existência anterior de civilizações tecnológicas na galáxia. Os grãos hipotéticos foram chamados de partículas de Arkhipov, em homenagem ao pesquisador ucraniano Alexey V. Arkhipov, que defendeu a Lua como possível local de acúmulo de artefatos alienígenas na década de 1990.

A equipe concentrou a análise em partículas na escala de mícrons, comparáveis em tamanho a uma bactéria. Também examinou a possibilidade de que civilizações extraterrestres tenham enviado máquinas microscópicas para vigilância ou outras missões. Esses objetos foram denominados partículas de Bracewell, em referência ao físico Ronald Bracewell, que propôs a existência de sondas alienígenas autônomas na década de 1960.

A proposta de busca

Para testar a hipótese, os cientistas sugerem uma missão que peneire cerca de 1 metro cúbico de solo lunar. Instrumentos especializados procurariam sinais de fabricação, como metais e outras substâncias produzidas artificialmente. Modelos desenvolvidos por Pinault para localizar objetos maiores na Lua, incluindo os restos ainda não encontrados do módulo soviético Luna 9, poderiam ser adaptados para identificar grãos minúsculos.

Sofia Sheikh, cientista do Instituto SETI especializada em tecnoassinaturas, classificou a proposta como uma linha de investigação criativa e válida. Ela relacionou a possibilidade ao interesse renovado pela Lua associado ao programa Artemis, da Nasa, que pretende levar astronautas de volta à superfície lunar.

Ian Crawford, professor de ciência planetária no Birkbeck College, da Universidade de Londres, e coautor do estudo, defendeu que a procura por artefatos tecnológicos deve ser considerada uma abordagem científica comparável à busca por emissões de rádio. Jason Wright, professor de astronomia e astrofísica na Universidade Estadual da Pensilvânia e pesquisador do SETI, afirmou que o estudo preliminar tornou plausível uma ideia pouco explorada.

O problema de distinguir a origem

Mesmo que partículas artificiais sejam encontradas, a primeira explicação provavelmente seria humana. Diversas peças de espaçonaves chegaram à Lua ao longo das décadas, o que poderia deixar detritos microscópicos de missões terrestres. Para estabelecer a origem de uma partícula, seria necessário examinar sua assinatura química e determinar se ela corresponde a materiais produzidos na Terra ou em outro mundo.

Os próprios pesquisadores reconhecem que identificar uma tecnoassinatura alienígena em uma amostra lunar seria extremamente improvável. Ainda assim, uma confirmação teria grande peso para a questão sobre a existência de vida além da Terra. Crawford comparou a busca a procurar uma agulha no palheiro e afirmou que, caso uma partícula alienígena fosse encontrada, isso sugeriria a existência de muitas outras ao longo da história da galáxia.

Texto produzido pela Redação Diário de Contexto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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