A análise de vermes marinhos ramificados identificou pelo menos dez prováveis novas espécies e revelou que os animais pertencem a duas linhagens evolutivas. Uma delas reúne espécies do gênero Ramisyllis; a outra deu origem a Cladosyllis, um gênero novo. Os pesquisadores concluíram ainda que todos descendem de um único ancestral comum.
O estudo foi liderado pela Universidade de Göttingen, na Alemanha, e combinou sequenciamento de DNA com análises anatômicas detalhadas. Os resultados foram publicados no Zoological Journal of the Linnean Society.
Biodiversidade preservada em museus
Parte importante da investigação veio de exemplares guardados por mais de um século. Algumas esponjas da coleção Senckenberg datam de 1914. Para examinar os vermes sem destruir os hospedeiros, a equipe utilizou imagens de microCT, além de amostras coletadas recentemente.
“Conseguimos revelar os vermes sem danificar as esponjas usando imagens de microCT”, afirmou Ekin Tilic, coautor do estudo, em comunicado da Universidade de Göttingen. Ele disse que técnicas modernas permitem redescobrir a biodiversidade preservada em coleções centenárias.
Os vermes são anelídeos raros, com uma única cabeça da qual parte uma rede de ramificações que lembra uma árvore. O corpo se divide repetidamente em múltiplas extremidades posteriores e ocupa o interior de esponjas marinhas, com as quais os animais vivem em simbiose.
Hospedeiros e evolução
A pesquisa indica que a associação com diferentes espécies de esponjas teve papel importante na diversificação desses vermes. Algumas espécies vivem em esponjas encontradas a mil metros de profundidade, enquanto outras ocupam águas rasas.
A conclusão também revisa a classificação anterior, que reunia os raros animais em três espécies amplamente distribuídas. Guillermo Ponz Segrelles, coautor da pesquisa, afirmou que cada ramo da árvore genealógica está ligado de perto a uma espécie própria de esponja e a áreas específicas.
Os pesquisadores avaliam que muitas outras espécies ainda não foram identificadas. Para eles, os vermes podem servir como modelo para investigar a evolução de formas corporais complexas, a simbiose e a biodiversidade dos ecossistemas marinhos.


