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Ciência

Estudo identifica 17 cromossomos ancestrais ligados ao sexo em lagartixas

Análise de 19 espécies relaciona a diversidade dos sistemas sexuais a mudanças climáticas e à evolução de genes específicos.

Estudo identifica 17 cromossomos ancestrais ligados ao sexo em lagartixas

Uma análise genética de 19 espécies de lagartixas identificou 17 cromossomos ancestrais que, ao longo da evolução, parecem ter assumido a função de determinar o sexo. O estudo também encontrou sinais de que mudanças climáticas ocorridas há cerca de 10 milhões de anos podem ter coincidido com a adoção de novos sistemas cromossômicos por várias linhagens.

A pesquisa foi coordenada por Peng Shi, do Instituto de Zoologia de Kunming, e Guojie Zhang, da Universidade de Zhejiang. O trabalho foi publicado na Science e examinou espécies de todas as famílias reconhecidas dentro da infraordem Gekkota.

Uma diversidade incomum

As lagartixas apresentam diferentes formas de determinação sexual. Em algumas espécies, as fêmeas têm dois cromossomos X, enquanto os machos possuem um X e um Y, em um arranjo semelhante ao humano. Em outras, ocorre o sistema ZW: os machos são ZZ e as fêmeas têm os cromossomos Z e W.

Há ainda espécies com sistemas mais complexos, que envolvem mais de um par de cromossomos, e outras nas quais o sexo é influenciado pela temperatura durante o desenvolvimento dos ovos, sem a participação de cromossomos sexuais.

A variação pode ocorrer até entre espécies do mesmo gênero. A Hemidactylus mabouia, conhecida como lagartixa doméstica comum no Brasil, tem sistema XY. Já a Hemidactylus frenatus, considerada sua prima, apresenta o sistema ZW.

Entre as 19 espécies analisadas, 3 já eram conhecidas por depender da temperatura para o desenvolvimento sexual. Outras 5 tinham cromossomos X e Y, enquanto 11 apresentavam os cromossomos Z e W. Mesmo dentro desses grupos, os pesquisadores encontraram diferenças importantes na estrutura e no funcionamento dos cromossomos.

Em algumas espécies, os cromossomos sexuais são homomórficos, ou seja, muito semelhantes entre si. Nesses casos, a distinção entre X e Y, por exemplo, fica restrita a pequenas áreas chamadas SDRs, regiões sexualmente diferenciadas. Em outras, os cromossomos são bastante diferentes, como ocorre entre o X e o Y humanos. Nessa configuração, o cromossomo Y tende a ser menor e a carregar menos funções.

Mudanças climáticas e evolução

A reconstrução evolutiva indicou que cada espécie de lagartixa tem uma trajetória própria na formação de seus sistemas de determinação sexual. Mesmo quando linhagens diferentes utilizaram o mesmo cromossomo ancestral, os genes responsáveis pela definição do sexo podem não ser os mesmos.

Entre as espécies cuja divergência evolutiva pôde ser datada, cerca de metade teria desenvolvido novas versões dos cromossomos sexuais há cerca de 10 milhões de anos. O período foi marcado por mudanças climáticas intensas, com resfriamento, aumento da aridez e fragmentação de habitats.

Os pesquisadores consideram possível que essas transformações ambientais tenham favorecido a substituição de mecanismos baseados na temperatura por sistemas apoiados em cromossomos sexuais. A associação, porém, ainda é uma hipótese: as evidências não permitem tratá-la como uma explicação conclusiva.

O estudo também encontrou uma relação entre os genes ligados à determinação sexual e o tipo de sistema cromossômico. Nas espécies ZW, esses genes tendem a ter importância maior para o funcionamento dos testículos. Nas espécies XY, a presença de genes associados a esses órgãos é menor no cromossomo X.

Essa diferença pode estar relacionada ao processo de erosão genética do cromossomo sexual que não forma um par equivalente. Como ele deixa de trocar genes com o cromossomo parceiro, acumula mais mutações e pode encolher ao longo do tempo. No sistema ZW, o cromossomo diferente está nas fêmeas; no sistema XY, está nos machos.

Um possível cenário é que a evolução dos sistemas sexuais resulte da combinação entre mudanças ambientais e características próprias dos genes de cada espécie. Pesquisas com outros vertebrados apontam para possibilidades semelhantes, mas os autores ressaltam que ainda não é possível afirmar que esse mecanismo seja uma regra geral.

Texto produzido pela Redação Diário de Contexto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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