A notícia e o que está por trás
Mundo

Estudo mostra que abelhas desenvolveram diferentes soluções para enxergar

Pesquisa revela que espécies solitárias podem superar abelhas melíferas em aspectos da visão e inspirar sensores e robôs.

Estudo mostra que abelhas desenvolveram diferentes soluções para enxergar
Foto: JCarlos VBrito/Adobe Stock

A visão das abelhas não segue um único modelo. Um estudo com espécies ativas durante o dia mostrou que animais com olhos de aparência semelhante podem alcançar desempenho visual elevado por meio de combinações diferentes entre lentes, fotorreceptores e processamento das imagens.

O zangão da abelha melífera (Apis mellifera) é há muito tempo usado como referência para o desempenho visual. Os machos têm olhos especializados para localizar rainhas durante voos de acasalamento e detectam objetos em movimento com menos de meio grau de diâmetro. Em termos humanos, isso corresponde a avistar uma pessoa a mais de 250 metros de distância.

A pesquisa, porém, encontrou resultados especialmente expressivos em espécies solitárias, que são menos estudadas. Ao contrário das abelhas melíferas, que vivem em colônias enormes, essas abelhas precisam encontrar alimento, localizar parceiros e abastecer os próprios ninhos. Em vários aspectos, incluindo a nitidez das imagens, algumas superaram as operárias das abelhas melíferas.

Olhos parecidos, estratégias diferentes

As abelhas enxergam por meio de olhos compostos, formados por milhares de lentes minúsculas. Essas estruturas ajudam na orientação, na localização de flores e na identificação de pontos de referência. A diversidade de espécies — mais de 20 mil em todo o mundo — inclui animais que vivem em ambientes abertos, em vegetação densa ou sob luz fraca ao amanhecer, ao entardecer e à noite.

As abelhas-cardadoras machos (Anthidium manicatum), que passam grande parte do dia patrulhando territórios e perseguindo rivais ou possíveis parceiras, alcançam alta nitidez com fotorreceptores excepcionalmente pequenos. Esse tamanho reduz o desfoque óptico. Os zangões da abelha melífera, por sua vez, têm lentes grandes, uma característica que aumenta a sensibilidade à luz.

A australiana abelha-de-faixa-azul (Amegilla) chega a detectar objetos pequenos e formar imagens nítidas sem adotar nenhuma dessas estratégias extremas. Seu desempenho resulta de outra combinação de design óptico e amostragem visual.

Os fotorreceptores ficam atrás das lentes e convertem a luz em sinais elétricos. Eles funcionam de modo semelhante aos pixels de uma câmera: estruturas maiores captam mais luz e aumentam a sensibilidade, enquanto estruturas menores podem preservar a nitidez. O desafio é equilibrar essas duas exigências.

Para medir o funcionamento das células, os pesquisadores fizeram registros diretamente dos fotorreceptores de abelhas vivas. Usaram microeletrodos de vidro com pontas de apenas algumas dezenas de nanômetros de largura, milhares de vezes mais finas que um fio de cabelo humano. Os instrumentos permitiram registrar os sinais produzidos por células isoladas quando os animais observavam objetos pequenos em uma tela de computador.

Aplicações para a tecnologia

A abelha-de-faixa-azul apresentou sensibilidade semelhante à do zangão da abelha melífera, apesar de não ter olhos tão grandes. O resultado indica que diferentes espécies podem chegar a um desempenho visual similar por caminhos evolutivos distintos, sem que exista um único projeto ideal.

Esse princípio pode orientar tecnologias inspiradas na natureza. Projetistas de câmeras, robôs e veículos autônomos enfrentam o problema de reunir informações visuais suficientes com sensores pequenos, eficientes e acessíveis. Modelos computacionais baseados no processamento do movimento de alvos por insetos já foram adaptados para um robô autônomo capaz de perseguir objetos em movimento em cenários naturais e em drones voadores autônomos.

A abelha-de-faixa-azul também é uma polinizadora por vibração: consegue fazer flores vibrarem para liberar pólen de uma maneira que as abelhas melíferas não conseguem. Essa característica a torna potencialmente valiosa para culturas como o tomate na Austrália, onde as abelhas sem ferrão como as brasileiras mamangabas não estão naturalmente presentes.

A redução da diversidade de abelhas em todo o mundo pode significar a perda não apenas de espécies, mas também de inovações evolutivas que levaram milhões de anos para se desenvolver. O estudo indica que ampliar a observação para diferentes espécies é importante para compreender a evolução da visão e de outros traços, incluindo respostas a estresses ambientais como calor e exposição a pesticidas.

Texto produzido pela Redação Diário de Contexto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

Assine nossa newsletterAs principais notícias do dia no seu e-mail.