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Ciência

Expedição na Serra do Aracá revela espécies e rotinas guiadas pela floresta

Equipe de 16 cientistas coleta fauna, flora, água, solo e sangue em ecossistemas de altitude isolados no Amazonas.

Expedição na Serra do Aracá revela espécies e rotinas guiadas pela floresta
Foto: Phelipe Janning/Agência FAPESP

Uma equipe de 16 cientistas investiga, desde 24 de agosto, a biodiversidade dos ecossistemas de altitude da Serra do Aracá, no extremo norte do Amazonas. Acampado a 1.260 metros de altitude, no topo de um tepui situado 220 quilômetros ao norte de Barcelos, o grupo reúne especialistas em plantas, insetos, aves, mamíferos, répteis, anfíbios e parasitas.

A expedição é financiada pela FAPESP e tem apoio do Exército Brasileiro, responsável pelas operações de logística e segurança. O trabalho busca ampliar o conhecimento sobre ambientes isolados e pouco estudados, onde as espécies podem ser diferentes daquelas encontradas nas áreas mais baixas da planície amazônica. Além de exemplares de fauna e flora, os pesquisadores recolhem amostras de água, solo e sangue de animais.

Coleta começa antes do campo

O planejamento teve início antes do embarque para Manaus e, depois, Barcelos, onde fica a base operacional do Exército que apoia a missão. As botânicas Vania Nobuko Yoshikawa, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), e Jenifer de Carvalho Lopes, do Jardim Botânico do Missouri, consultaram artigos, listas históricas de espécies e dados do speciesLink, rede digital brasileira criada em 2002 para compartilhar informações sobre biodiversidade.

No campo, as duas começam o trabalho às 6 horas, saem por volta das 7h e percorrem as áreas próximas ao acampamento. Elas procuram plantas com flores ou frutos, estruturas necessárias para identificar os exemplares no nível de gênero e espécie. Depois, prensam os ramos em folhas de jornal, organizam duplicatas e guardam o material em álcool. Para preservar o DNA, retiram fragmentos de folhas saudáveis e os acondicionam em pequenos saquinhos com sílica gel.

Durante os cinco primeiros dias, foram coletados mais de 100 espécimes. Entre os achados estão populações expressivas de canela-de-ema, plantas do gênero Vellozia, e orquídeas terrestres do gênero Catasetum. O material será incorporado ao acervo do Inpa e compartilhado com herbários do Brasil e de outros países parceiros.

A busca por insetos também é intensa. A entomologista Gabriela Procópio Camacho abriu um tronco em decomposição para procurar rainhas de cupins, usando um aspirador manual com uma antecâmara que impede a ingestão dos animais. Embora sua especialidade sejam as formigas, ela coleta diferentes insetos para ampliar o material destinado ao Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo.

“Essa é uma oportunidade única de coletar”, disse Camacho ao explicar por que procura reunir o maior número possível de espécimes. Os animais que não forem analisados por ela serão preservados para estudos de outros especialistas.

Cada grupo segue o ritmo dos animais

A rotina dos zoólogos é determinada pelos horários de atividade das espécies. Os ornitólogos começam por volta das 4h, quando procuram aves ativas no fim da noite e nas primeiras horas da manhã. Eles registram o chamado coro da aurora, instalam redes de neblina e levam os animais capturados ao acampamento para pesagem, medição, retirada de tecidos e preparação taxonômica.

Luis Fábio Silveira, diretor do Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo, e Igor Alvarenga registraram a presença expressiva de beija-flores, favorecida pela quantidade de flores no platô. Entre os exemplares coletados está o Colibri delphinae, que não havia sido registrado em expedições anteriores à Serra do Imeri e ao Pico da Neblina. Nas matas de encosta, porém, a quantidade de aves foi considerada baixa pelos pesquisadores.

Os especialistas em pequenos mamíferos Alexandre Percequillo e Ana Paula Carmignotto capturaram, no segundo dia, um roedor que parece pertencer ao gênero Zygodontomys. O animal ocorre em áreas abertas e em campinarana, vegetação que cresce sobre solos arenosos e pobres em nutrientes, e também foi encontrado na altitude da Serra do Aracá. Miguel Trefaut Rodrigues, líder da expedição, afirmou nunca ter capturado aquele animal. O roedor já foi classificado como integrante da tribo Akodontini e atualmente pertence à Oryzomyini.

Ao anoitecer, o trabalho passa a ser conduzido pelas equipes de herpetologia. Como anfíbios não toleram temperaturas elevadas, sapos, rãs e pererecas usam a umidade e o clima mais ameno da noite para cantar e disputar território nos riachos. As buscas começam por volta das 18h e são feitas com lanternas.

Algumas espécies concentram a atividade no lusco-fusco, período de transição entre o dia e a noite. O herpetólogo Taran Grant explica que esse comportamento corresponde a um nicho ocupado por esses animais. Como os anfíbios podem interromper o canto ao perceber a aproximação ou a luz, os pesquisadores apagam as lanternas e aguardam que voltem a vocalizar.

Para validar a identificação, não basta gravar o som: é preciso observar o indivíduo que canta e associar o áudio ao exemplar físico, chamado de voucher. O procedimento é necessário porque a frequência do canto varia conforme a temperatura e o tamanho do corpo. Ao final da primeira fase de exploração, foram registradas de oito a nove espécies de anfíbios e de quatro a cinco espécies de lagartos.

O principal achado entre os répteis foi um pequeno lagarto adaptado ao arenito das áreas abertas do platô, apontado pelos pesquisadores como provável espécie nova para a ciência. A coleta desse animal mantém elevada a expectativa de que a Serra do Aracá revele outras formas de vida ainda não descritas.

Texto produzido pela Redação Diário de Contexto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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