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Ciência

Calor e seca extremos avançam mais rapidamente no centro-norte da Amazônia

Pesquisa mostra que eventos excepcionais de calor e seca avançam em ritmo superior ao da temperatura média na região amazônica.

Calor e seca extremos avançam mais rapidamente no centro-norte da Amazônia

A região centro-norte da Amazônia, que reúne floresta, savanas e territórios indígenas, está registrando um avanço acelerado de eventos extremos de calor e estresse hídrico. A conclusão está em um estudo conduzido por uma equipe de mais de 50 cientistas internacionais e publicado nessa quarta-feira (9) na revista Communications Earth & Environment.

A pesquisa identificou que aproximadamente 10% da Bacia Amazônica — mais de 700 mil km², área superior à do Afeganistão — teve aumento de pelo menos 0,75ºC por década nas temperaturas extremas durante a estação seca. Desde 1981, o crescimento acumulado nessa área ultrapassa 3,22ºC.

O ritmo é superior ao observado na temperatura média da Amazônia, que tem aumentado cerca de 0,21ºC por década. Avaliações anteriores, baseadas nesse indicador médio, apontavam a Amazônia Meridional como a região de aquecimento mais acelerado. A nova análise mostra que o resultado muda quando o foco são os períodos excepcionalmente quentes e secos.

Como os extremos foram identificados

A Amazônia Meridional continua apresentando o crescimento mais rápido na temperatura média, em um cenário marcado por desmatamento e mudanças no uso da terra. Porém, na avaliação dos episódios fora do padrão, o centro-norte aparece como a área de avanço mais veloz.

Os pesquisadores dividiram o bioma em células de aproximadamente 11 quilômetros e combinaram informações de temperatura e chuva obtidas por satélites e estações meteorológicas locais. O método permitiu identificar a estação seca de cada área e calcular as mudanças ocorridas entre 1981 e 2023.

Além da temperatura e da precipitação, o estudo utilizou uma medida de déficit hídrico. O indicador estima a exposição à falta de água disponível e considera que temperaturas mais altas ampliam a perda de água para a atmosfera.

Foram aplicadas duas abordagens. A chamada tendência central acompanha a mudança média ao longo dos anos. Já a tendência extrema dá maior peso aos períodos de calor ou seca excepcionais. Essa segunda perspectiva busca captar situações que podem produzir os efeitos mais graves para a floresta e as populações, mesmo quando a média climática apresenta uma alteração menor.

“Isso é importante porque mostramos que o clima da Amazônia não está mudando de forma uniforme”, afirmou Nathália Carvalho, pesquisadora de pós-doutorado no Lancaster Environment Centre e coautora do estudo. Segundo ela, a diferença entre as áreas atingidas pelos extremos e pelo clima médio é relevante para planejar estratégias de adaptação.

Consequências para floresta e comunidades

Períodos excepcionais de calor e seca podem favorecer incêndios, elevar a mortalidade de árvores e animais e prejudicar a saúde humana. Também há registros de impactos sobre a fauna, incluindo um episódio de morte em massa de mamíferos, com preguiças e outros animais encontrados mortos no chão da floresta ou pendurados em árvores.

Estudos mencionados na pesquisa apontam ainda redução no tamanho de populações de aves e mudanças na expectativa de vida, na aparência e no comportamento desses animais. A combinação entre calor, seca e fogo pode deteriorar a qualidade do ar. Na região de Manaus (AM), grandes queimadas já contribuíram para períodos de intensa poluição atmosférica.

A redução do nível dos rios afeta o transporte, o acesso a serviços e a rotina de populações que dependem da navegação. Os impactos também alcançam os meios de subsistência de comunidades tradicionais. Joice Ferreira, da Embrapa Amazônia Oriental, em Belém (PA), afirmou que os extremos afetam produtos essenciais, como o açaí.

As mudanças podem reduzir a proteção oferecida pela floresta, ameaçar a segurança alimentar e enfraquecer o papel dos recursos naturais em uma economia baseada na biodiversidade. Ferreira também alertou que esse processo pode comprometer políticas públicas de restauração florestal formuladas pelos governos brasileiro e estaduais.

Riscos para os próximos anos

O estudo considera a possibilidade de novos episódios extremos. Um El Niño de grande intensidade esperado para 2026 poderá levar temperaturas muito elevadas e condições de seca à Amazônia apenas dois anos depois da grande seca registrada em 2024.

Jos Barlow, professor da Universidade de Lancaster e principal autor da pesquisa, defendeu medidas de adaptação, prevenção ao desmatamento, apoio ao combate a incêndios florestais e assistência às populações afetadas quando os rios usados para navegação secarem.

Mike Barrett, consultor científico-chefe do WWF do Reino Unido e colaborador do projeto, destacou a necessidade de reduzir as emissões responsáveis pelo aquecimento global. Ele também apontou a importância de ampliar a proteção da floresta e o financiamento da conservação para evitar a aproximação de pontos de inflexão, quando mudanças ambientais profundas podem desencadear transformações difíceis ou impossíveis de reverter.

Texto produzido pela Redação Diário de Contexto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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