RIO DE JANEIRO — Benedita da Silva (PT) aparece com 30,7% na Paraná Pesquisas e 15% na Quaest na disputa pelo Senado no Rio de Janeiro. Os percentuais não representam necessariamente uma distância equivalente entre as intenções de voto, porque os levantamentos organizam de maneira diferente as respostas dos eleitores.
Na pesquisa da Paraná Pesquisas, o entrevistado pode indicar até dois candidatos, sem precisar definir qual seria o primeiro e qual seria o segundo voto. O percentual de Benedita reúne as menções feitas nesse formato.
A Quaest separa as escolhas. Benedita foi apontada por 23% dos entrevistados como primeira opção e por 6% como segunda. Assim, 29% das pessoas consultadas a mencionaram em pelo menos uma das posições. Depois, os dois votos são redistribuídos em uma base de 100%, procedimento que resulta nos 15% apresentados para a candidata.
“Assim, comparar diretamente os cerca de 15% da Quaest com os 30,7% do Paraná pode dar a impressão de uma distância que não existe”, afirma Mayra Goulart, professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
Eleição ainda tem alto grau de indefinição
A disputa envolve duas vagas e, neste momento, 24% dos entrevistados se declaram indecisos. Outros 25% afirmam que votarão em branco ou não votarão. Para Goulart, ainda é difícil cravar o resultado para o cargo, embora esse conjunto possa diminuir até as eleições.
A cientista política relaciona a possível mudança ao maior interesse despertado pelo Senado. Na avaliação dela, a extrema direita tenta transformar a Casa em um espaço estratégico de poder, inclusive pela possibilidade de abertura de processos de impedimento de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). A existência de dois votos também torna a escolha mais complexa.
Histórico de votos brancos e nulos
O cenário de 2026 pode se diferenciar do observado em eleições anteriores. Em 2018, quando também havia duas vagas em disputa, os votos brancos e nulos para o Senado representaram 26%. Em 2022, chegaram a 33%.
Goulart atribui esses índices ao desinteresse tradicional pelo cargo. Para ela, antes a popularidade do governador ajudava a levar votos ao candidato apoiado para o Senado, dinâmica que não parece se repetir da mesma forma nesta eleição.
A votação para o Senado é majoritária: são eleitos os candidatos com mais votos. Cada candidatura só pode receber uma escolha; se o eleitor votar duas vezes no mesmo candidato, o segundo voto é anulado. Também não há contabilização de votos em legenda.


