Moradores do assentamento Nova Canaã bloquearam a pista sul da Estrutural, no Distrito Federal, para cobrar acesso à água, melhorias de infraestrutura e uma alternativa de moradia para as famílias da ocupação. O protesto começou por volta das 5h30 e terminou perto das 7h, conforme relato de uma participante.
A mobilização ocorreu enquanto famílias da região são removidas. O assentamento reúne diferentes núcleos de ocupação próximos ao antigo aterro sanitário de Santa Luzia. Os moradores afirmam que barracos foram derrubados em operações realizadas na área e cobram do governo do Distrito Federal uma proposta para as pessoas que vivem no local.
Durante a manifestação, foram exibidas faixas com mensagens sobre o direito à água e à moradia. Pneus foram queimados no bloqueio, que foi acompanhado por equipes do Departamento de Estradas de Rodagem do Distrito Federal (DER-DF) e do Batalhão de Policiamento Rodoviário.
Relatos dos moradores
Jéssica Alves, uma das participantes, disse que os moradores querem uma conversa com o governo e uma definição sobre o destino das famílias. Ela também afirmou que operações do DF Legal ocorreram sem a apresentação de documentos ou ordem judicial para a saída dos ocupantes.
Segundo Jéssica, pertences de familiares foram destruídos durante uma dessas ações. Ela relatou que a cunhada perdeu documentos, roupas e materiais das crianças depois que os objetos foram queimados. A moradora também mencionou episódios de confronto entre famílias e agentes de segurança, com crianças, gestantes e outras pessoas afetadas por spray de pimenta e balas de borracha.
Os moradores ainda afirmam que uma criança morreu depois de contrair meningite, por falta de atendimento e abandono. A informação aparece entre as denúncias apresentadas pela comunidade sobre as condições vividas no assentamento.
Negociação durante o bloqueio
O pastor Ismael Lopes, que acompanha a comunidade e atua na luta por moradia há 15 anos, participou da negociação com os policiais. Ele disse que foi chamado pelos moradores durante a madrugada e chegou quando a pista já estava bloqueada.
Lopes afirmou que passou a intermediar o diálogo para evitar conflitos. Uma das faixas da via foi liberada por volta das 6h10, e o protesto continuou por mais alguns minutos. Segundo ele, o ato terminou sem agressões e sem depredação de veículos.
O pastor também informou que os moradores pretendem encaminhar as denúncias ao Ministério Público Federal, por meio de uma representação relacionada ao que classificou como descumprimento de preceitos fundamentais por parte do governo da Celina Leão.
Os participantes disseram que continuarão cobrando uma solução para as famílias da Nova Canaã. Para Jéssica, o bloqueio foi uma forma de chamar atenção para as reivindicações e para a ausência de resposta do poder público.
O Governo do Distrito Federal, o DF Legal e a Polícia Militar do Distrito Federal foram procurados para esclarecer as denúncias e os questionamentos sobre as ações na região. Até a publicação, não havia manifestação dessas instituições.



