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Ciência

Dentes indicam que o T. rex mantinha temperatura corporal elevada

Análise de fósseis estima temperatura média de 36,3°C e reforça evidências de metabolismo semelhante ao de aves e mamíferos.

Dentes indicam que o T. rex mantinha temperatura corporal elevada
Foto: Fabrice Coffrini/AFP

A análise de dentes fossilizados indica que o Tyrannosaurus rex mantinha uma temperatura corporal média de 36,3°C, com margem de erro de 2,5 graus para mais ou para menos. O resultado é compatível com a temperatura de grandes mamíferos atuais e reforça a hipótese de que o predador tinha metabolismo de “sangue quente”, como aves e mamíferos.

O estudo foi coordenado por Randon Flores e Robert Eagle, da Universidade da Califórnia em Los Angeles, e publicado na revista Science Advances. A equipe examinou três dentes de T. rex encontrados na formação Hell Creek, em Montana. Dois dentes pertenciam ao mesmo indivíduo.

Para estabelecer uma comparação, os pesquisadores também analisaram cinco dentes de crocodilianos provenientes de uma camada geológica semelhante, igualmente em Montana. O grupo inclui os parentes vivos dos jacarés e crocodilos, répteis cujo organismo não regula ativamente a temperatura corporal.

Como o método funciona

A estimativa foi feita com um método desenvolvido por Robert Eagle. A técnica avalia ligações entre variantes de carbono e oxigênio presentes nas moléculas dos dentes. Os pesquisadores observaram especificamente os isótopos mais pesados oxigênio-18 e carbono-13, que tendem a formar conexões químicas.

A proporção dessas ligações varia de acordo com a temperatura corporal: quanto mais elevada ela é, menor tende a ser a presença conjunta dos isótopos pesados. Como essa relação pode ser calibrada em espécies atuais, os cientistas aplicaram o mesmo princípio à composição química dos fósseis, depois de verificar que ela correspondia aproximadamente à encontrada nos dentes de animais vivos.

As temperaturas estimadas para os crocodilianos foram mais variáveis e apresentaram média de 30,9°C. Essa diferença era esperada pelos pesquisadores por causa do metabolismo dos parentes vivos mais próximos dos dois grupos analisados.

Evidências além dos dentes

Os resultados não são a única indicação de que os dinossauros poderiam manter a temperatura interna de forma constante. As aves atuais, consideradas o único ramo sobrevivente dos dinossauros carnívoros, são homeotérmicas e pertencem ao mesmo grande grupo do T. rex.

Outras análises, baseadas na estrutura celular e no padrão de crescimento preservados nos ossos, sugerem que diversos dinossauros atingiam o tamanho adulto relativamente rápido e tinham metabolismo acelerado. Essas características são associadas a animais de sangue quente.

A ocupação de regiões polares também aparece como evidência relevante. Embora o planeta fosse alguns graus mais quente do que hoje, grupos de dinossauros viviam em áreas como o Alasca e a Antártida, que já eram frias antes de 65 milhões de anos atrás e tinham invernos longos, escuros e com neve.

O tamanho dos dinossauros, porém, mantém uma questão em aberto. Animais muito grandes, como os saurópodes, poderiam ter dificuldade para dissipar o calor produzido pelo próprio organismo. Uma hipótese é que parte deles dependesse do chamado calor inercial, acumulado pelo grande volume corporal, sem controlar ativamente a temperatura interna.

A análise dos dentes não resolve essa dúvida para todos os dinossauros. No caso dos T. rex estudados, contudo, os valores obtidos são compatíveis com os de grandes animais atuais. Com base nesses dados, os pesquisadores estimam que o predador teria condições de ocupar praticamente todos os ambientes da América do Norte, inclusive o Alasca, mantendo-se aquecido em condições polares.

Texto produzido pela Redação Diário de Contexto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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