A notícia e o que está por trás
Ciência

Dinossauro de Liaoning revela caminhos distintos até o voo com penas

A anatomia do Norellraptor barsboldi sugere que microraptoríneos e aves desenvolveram adaptações para voar de forma independente.

Dinossauro de Liaoning revela caminhos distintos até o voo com penas
Foto: Divulgação

O esqueleto praticamente completo de um dinossauro emplumado encontrado no oeste de Liaoning indica que a capacidade de voar com penas pode ter surgido separadamente nos microraptoríneos e nas aves. A conclusão se baseia na anatomia do Norellraptor barsboldi, espécie que viveu há cerca de 120 milhões de anos.

Com pouco menos de 60 cm, o animal reunia características parecidas com as encontradas em aves atuais e antigas. A análise, porém, mostra que traços ligados à locomoção aérea apareceram em uma sequência diferente em cada linhagem. Essa diferença é compatível com a evolução convergente: grupos já separados desenvolvem soluções semelhantes para um mesmo desafio.

Um corpo adaptado ao deslocamento no ar

O Norellraptor barsboldi fazia parte dos Microraptorinae, grupo de pequenos dinossauros carnívoros conhecidos por fósseis com penas preservadas. Esses animais apresentam uma anatomia comparada à de um biplano, com penas associadas tanto aos membros dianteiros quanto aos traseiros.

A possibilidade de que as penas das patas traseiras participassem da locomoção aérea está relacionada à assimetria de várias delas. Nessa configuração, um dos lados da pena é mais largo que o outro em relação à raque, estrutura rígida que divide suas metades. A assimetria é associada à capacidade de manobra durante o voo nas aves atuais e não aparece em plumagens sem essa função.

Por isso, muitos paleontólogos consideram que os microraptoríneos conseguiam decolar por conta própria e permanecer no ar batendo as asas, em vez de apenas planar. O desempenho provavelmente era menos eficiente que o das aves conhecidas atualmente.

A sequência das características

A proximidade evolutiva entre os microraptoríneos e as aves levantava a possibilidade de que o voo das aves tivesse começado de maneira semelhante. Outra hipótese era que as duas linhagens tivessem usado características já presentes, como as penas e o corpo delicado, para alcançar a locomoção aérea por caminhos independentes.

Andrea Cau, do Museu Paleontológico e Centro Herpetológico Ophis, na Itália, e Qiang Ji, da Universidade Geológica de Hebei, na China, compararam 194 características do esqueleto. Segundo os autores, 30% delas também aparecem em grupos paralelos de aves primitivas e modernas.

A comparação incluiu alterações nos dedos, na clavícula e no esterno, osso do peito que, nas aves, participa da forma do corpo durante o voo. A hipótese de uma trajetória compartilhada exigiria 23 passos evolutivos a mais do que a árvore genealógica considerada estatisticamente mais provável pela análise.

A ordem de surgimento dos traços também foi diferente. Os microraptoríneos adquiriram primeiro algumas adaptações para voar que só apareceriam depois nas aves, enquanto outras características surgiram antes nas aves. Para os pesquisadores, esse padrão sustenta origens paralelas da locomoção alada.

A estrutura microscópica dos ossos reforçou a interpretação. O ritmo de crescimento do fóssil seguia um padrão inverso ao observado nas patas dianteiras e traseiras de aves de anatomia mais primitiva ainda vivas, o que enfraquece a hipótese de uma origem comum para o voo dos dois grupos.

A descrição da espécie foi publicada na última terça (29) na revista Nature Communications. O nome Norellraptor barsboldi homenageia Mark Allen Norrell e Rinchen Barsbold, paleontólogos especializados em dinossauros semelhantes a aves que morreram no ano passado.

Texto produzido pela Redação Diário de Contexto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

Assine nossa newsletterAs principais notícias do dia no seu e-mail.