O formato de um ovo pode ajudar a manter um embrião protegido, evitar a ação de predadores ou aumentar as chances de sobrevivência em ambientes específicos. Na natureza, há estruturas que se fixam em rochas, imitam sementes, suportam a inclinação de falésias e até permitem a comunicação entre filhotes antes do nascimento.
Ovos que se prendem ao ambiente
Entre os tubarões-chifre, do gênero Heterodontus, as fêmeas produzem cápsulas semelhantes a uma rolha, com uma fita em espiral ao redor. O gênero reúne 10 espécies, encontradas principalmente nos oceanos Índico e Pacífico. Depositados em fendas rochosas, os ovos se prendem às paredes de pedra com o movimento da maré.
O professor de biologia marinha Christopher Lowe explica que a estrutura dificulta o deslocamento provocado por ondas e correntes e também o acesso de predadores. O ovo do airo (Uria aalge), por sua vez, tem uma extremidade pontuda e outra arredondada. A ave marinha vive sobretudo em rochas e falésias entre as costas do Canadá e da Europa.
Em 2018, cientistas identificaram a função desse desenho. O formato ajuda a manter o ovo estável em superfícies inclinadas e reduz a possibilidade de que ele role para fora das rochas onde os pássaros fazem seus ninhos.
Alguns tubarões, arraias e rajídeos também produzem estruturas conhecidas como bolsas de sereia. Feitas de colágeno, elas podem assumir diferentes formatos e apresentar gavinhas, filamentos que ajudam a prendê-las a rochas ou algas no fundo do mar. Muitas são encontradas vazias nas praias depois que o filhote nasce.
Estratégias de camuflagem e abrigo
Os ovos dos insetos da ordem Phasmatodea, conhecidos como bicho-pau, imitam sementes de plantas. Uma camada externa chamada capitula atrai formigas, que carregam os ovos para os formigueiros depois que eles são deixados em plantas ou no solo.
A relação beneficia o embrião e as formigas: a capitula fornece nutrientes, enquanto o formigueiro oferece abrigo contra predadores, parasitas e o calor. Há evidências de que esses ovos também resistem à digestão no corpo de pássaros e podem eclodir depois de serem eliminados nas fezes.
Cor, tamanho e comunicação antes do nascimento
O emu costeiro, encontrado na costa da Austrália e ameaçado de extinção, produz ovos de uma tonalidade azul distinta. Já as aves da ordem Tinamiformes, presentes em toda a América do Sul e em parte da América Central, botam ovos com superfície muito brilhante, semelhante a porcelana ou metal polido. As cores incluem azul-celeste, verde, vinho, roxo e marrom-chocolate.
Os kiwis, aves não voadoras típicas da Nova Zelândia, podem botar um ovo equivalente a 20% do peso da fêmea. A proporção é seis vezes maior que a média dos ovos de aves do mesmo tamanho e ocupa tanto espaço que comprime órgãos internos.
No crocodilo-do-Nilo (Crocodylus niloticus), a comunicação começa antes da eclosão. Os ovos ficam enterrados em ninhos de areia ou terra, geralmente perto de rios, e a incubação dura cerca de 80 a 90 dias, conforme a temperatura. Quando os embriões amadurecem, emitem chamados agudos dentro do ovo.
Os sons avisam aos irmãos que o nascimento se aproxima e sinalizam à mãe que o grupo está pronto para ser retirado do ninho. Ela não reage necessariamente ao primeiro chamado: um estudo mostrou que a resposta ocorre quando os sons ficam quase contínuos, o que pode indicar que vários filhotes chegaram juntos ao estágio de nascimento.


