Os Estados Unidos, a Dinamarca e as autoridades autônomas da Groenlândia chegaram a um acordo que transfere a Washington o controle permanente da defesa do território no Ártico. O pacto impede a instalação de bases militares e investimentos de países considerados adversários, como Rússia e China, na ilha.
Donald Trump anunciou o entendimento na noite de sexta-feira (18). No sábado (19), autoridades em Copenhague e Nuuk comentaram os termos do acordo. Em publicação na Truth Social, o presidente americano afirmou que o tratado será “infinito” e permitirá aos Estados Unidos atuar “para sempre” na defesa da região. Ele também anunciou o início imediato de uma presença militar americana ampliada no território.
A formalização está prevista para a próxima semana, mas o acordo ainda precisará ser analisado e aprovado pelos parlamentos dinamarquês e groenlandês antes de entrar em vigor. O ministro das Relações Exteriores da Dinamarca, Lars Lokke Rasmussen, disse que o texto vinculante deve substituir um período de incerteza e reforçar a segurança compartilhada dentro da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).
Em nota, a primeira-ministra Mette Frederiksen afirmou que o entendimento preserva a soberania e a integridade territorial do Reino e reconhece o direito da população groenlandesa à autodeterminação.
Pressões e interesses estratégicos
O acordo foi anunciado depois de meses de pressão diplomática, ameaças de anexação e retaliações comerciais promovidas pela Casa Branca. Em janeiro, Trump defendeu a tomada da ilha e aplicou tarifas de 10%, com possibilidade de aumento para 25%, a oito países da Otan que se opunham à iniciativa.
Uma pesquisa da consultoria Verian realizada naquele período apontou que 85% dos habitantes da Groenlândia rejeitavam a separação da Dinamarca para uma integração aos Estados Unidos. Apenas 6% apoiavam a união, enquanto 45% consideravam uma ameaça direta a ambição de Trump sobre o território.
A Groenlândia é a maior ilha do mundo e possui reservas de minerais de terras raras, petróleo e gás natural. Seus portos ganharam valor estratégico com o derretimento do gelo polar. O território abriga ainda a Base Espacial de Pituffik, operada pelos Estados Unidos desde um acordo de 1951, atualizado em 2004. Para a Casa Branca, a ilha é essencial ao sistema de interceptação de mísseis Domo de Ouro e à contenção da expansão russa e chinesa na região.



