Há 4.500 anos, cozinheiros de Hama, na Síria, já escolhiam panelas com propriedades térmicas diferentes conforme o alimento preparado. A conclusão resulta da análise de ossos de animais, restos vegetais e gorduras preservados nas paredes de recipientes de barro encontrados na cidade.
O estudo, divulgado nesta sexta-feira (11), identificou evidências de preparações que podiam levar cabra, grãos ou gazela cozidos lentamente. A carne de gazela era um ingrediente importado das estepes orientais, região localizada muito mais a leste.
As panelas fabricadas localmente combinavam barro e calcita. Outro modelo, trazido das estepes, era produzido com barro e basalto. A diferença entre os materiais indicava o uso de recipientes específicos para determinados pratos, em uma prática comparada à escolha atual entre panelas de ferro fundido e antiaderentes.
A madeira de coníferas também era usada para aromatizar algumas receitas. Esses pratos, segundo a pesquisa, eram preparados exclusivamente em um tipo de panela, o que reforça a existência de técnicas culinárias diferenciadas na cidade.
Mette Marie Hald, arqueobotânica do Museu Nacional de Copenhague, afirmou que a descoberta fornece evidências concretas sobre a sofisticação da alimentação naquele período. A pesquisadora observou que a sociedade era organizada em reinos, cidades e hierarquias, contexto no qual o domínio de técnicas culinárias aparece associado a uma estrutura social complexa.
As descobertas também se relacionam a receitas registradas em textos cuneiformes de cerca de 2.000 anos atrás. Esses documentos mencionam o uso de muitos ingredientes e práticas culinárias consideradas sofisticadas, o que é compatível com os vestígios encontrados em Hama.


