A notícia e o que está por trás
Ciência

Imagens revelam fragmentação gradual de placa tectônica no Pacífico

Fraturas na região de Cascadia mostram que uma placa oceânica está se desfazendo em etapas, processo que pode durar milhões de anos.

Imagens revelam fragmentação gradual de placa tectônica no Pacífico

Pesquisadores dos Estados Unidos, do Canadá e da Suíça identificaram sinais de que uma placa tectônica no fundo do Oceano Pacífico está se rompendo gradualmente. O fenômeno ocorre na região de Cascadia, no noroeste da América do Norte, onde placas oceânicas mergulham sob a placa Norte-Americana.

O estudo foi publicado na quinta-feira (24), na revista Science Advances. As imagens sísmicas mostram grandes fraturas atravessando a placa oceânica. Em um trecho de 75 km, algumas partes ainda registram terremotos, enquanto outras permanecem praticamente silenciosas. Para os pesquisadores, essa diferença indica que segmentos da estrutura podem estar se separando.

“Esta é a primeira vez que temos uma imagem clara de uma zona de subducção flagrada em pleno processo de decadência”, afirmou Brandon Shuck, geólogo da Louisiana State University e principal autor da pesquisa.

Como a ruptura foi identificada

Os dados foram coletados em 2021 pelo CASIE21 (Experimento de Imagem Sísmica de Cascadia). Nesse trabalho, ondas sonoras foram enviadas para o fundo do oceano, e seus ecos foram registrados por equipamentos instalados em um cabo de cerca de 15 km.

As imagens revelaram falhas que atravessam a placa em afundamento. Uma delas está associada a um deslocamento de cerca de 5 km. Segundo Shuck, a estrutura ainda não se rompeu por completo, mas está próxima disso.

A fragmentação não ocorre necessariamente de uma só vez. Diferentes partes da placa podem se separar em momentos distintos, formando blocos menores, chamados microplacas. Algumas falhas permitem que segmentos da crosta se desloquem lateralmente, enquanto outras porções continuam descendo para o interior do planeta.

A atividade sísmica ajuda a acompanhar esse processo. Quando blocos de rocha permanecem conectados e acumulam tensão, podem ocorrer terremotos. Depois que uma parte se desprende, a conexão deixa de existir e aquele segmento deixa de produzir terremotos. A transformação pode levar milhões de anos e, ao longo do tempo, reduzir a estrutura que mantém a subducção em funcionamento.

Possíveis efeitos e perguntas em aberto

A separação de um segmento pode criar uma abertura conhecida como janela de placa. Por esse espaço, material quente do manto pode subir, alterando a produção de magma e influenciando a atividade vulcânica. Os padrões observados também são compatíveis com marcas encontradas em rochas vulcânicas antigas.

O achado não indica que Cascadia esteja prestes a deixar de produzir grandes terremotos. De acordo com os pesquisadores, a fragmentação ocorre em uma escala de milhões de anos e não modifica de forma significativa o risco sísmico da região no horizonte de tempo humano.

Os cientistas agora buscam entender como essas falhas poderão influenciar terremotos no futuro. Entre as questões está saber se uma ruptura sísmica conseguiria atravessá-las ou se elas poderiam interromper ou redirecionar seu avanço. A inclusão dessas estruturas nos modelos sísmicos pode ajudar a explicar a propagação dos terremotos na região.

A descoberta também pode contribuir para a compreensão de estruturas deixadas por antigas zonas de subducção. Na costa da Baixa Califórnia, geólogos identificaram remanescentes associados à antiga placa de Farallon, que ocupava uma grande área do Pacífico antes de mergulhar sob a América do Norte.

Texto produzido pela Redação Diário de Contexto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

Assine nossa newsletterAs principais notícias do dia no seu e-mail.