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A expedição que identificou a última capital inca na selva peruana

Gene Savoy e Antonio Santander localizaram ruínas que ajudaram a confirmar Vilcabamba, procurada desde a expedição de Hiram Bingham.

A expedição que identificou a última capital inca na selva peruana
Foto: Getty Images

Em 1911, Hiram Bingham afirmou ter encontrado em Machu Picchu a antiga Vilcabamba, a última capital dos incas. A identificação, porém, estava errada. Cinquenta anos depois, o americano Gene Savoy e o explorador peruano Antonio Santander Cascelli chegaram a ruínas escondidas na floresta que passaram a ser associadas ao refúgio final do Império Inca.

A história começou em 1909, quando Bingham foi chamado por proprietários de terras do Peru para avaliar Choquequirao, nome que significa “berço de ouro”. Havia a suspeita de que o local fosse Vilcabamba, descrita como uma fortaleza montanhosa ligada ao último rei inca. O prefeito de Apurímac, Juan José Núñez, insistiu para que o acadêmico investigasse o lugar, embora Bingham fosse professor assistente de história latino-americana, não arqueólogo e tivesse pouco conhecimento sobre os incas.

A pressão levou Bingham a consultar o livro Hints to Travellers, publicado pela Real Sociedade Geográfica Britânica. Em 1911, ele organizou uma expedição em nome da universidade de Yale. A viagem enfrentou mau tempo, falta de alimentos e o risco de deserção dos carregadores. Ao chegar a Machu Picchu, Bingham concluiu que havia localizado Vilcabamba e defendeu essa interpretação.

A busca de Savoy

Em agosto de 1964, Savoy, então com 37 anos, partiu com Santander em direção às ruínas atribuídas à última capital inca. Moradores locais inicialmente se recusaram a indicar o caminho, temendo uma lenda segundo a qual os deuses matariam quem revelasse a localização. Depois de muita insistência, os dois foram conduzidos até um conjunto de construções coberto por musgo e neblina, nas proximidades de um afluente do Amazonas.

“Não podíamos acreditar no que estávamos vendo”, disse Savoy ao descrever a chegada. As ruínas se espalhavam por três platôs montanhosos e incluíam um palácio, edifícios de granito e calcário e fontes. O primeiro platô tinha cerca de quatro vezes o tamanho de Machu Picchu. A configuração levou Savoy a interpretar o lugar como um refúgio dos últimos incas durante a resistência contra os conquistadores espanhóis.

A permanência da dupla durou apenas duas semanas. Os guias começaram a abandonar a expedição por medo das superstições associadas à floresta, e Savoy e Santander decidiram retornar mais tarde para continuar a investigação.

Seis semanas depois, uma equipe da BBC percorreu o mesmo caminho para registrar as ruínas. O grupo enfrentou corredeiras em um bote inflável, encostas íngremes de cânions, mulas e a mata fechada. Tony Morrison, diretor do filme produzido para a série Adventure, descreveu a chegada ao assentamento inca após uma semana de caminhada por uma floresta montana densa e molhada pela chuva.

O indício das telhas

A possível identificação de Vilcabamba dependeu de uma descoberta incomum: telhas. Os incas costumavam usar coberturas de palha, mas uma descrição do frade Martín de Murúa, que registrou a conquista espanhola do Peru, mencionava um palácio em diferentes níveis coberto por telhas. As peças encontradas apresentavam desenho espanhol, além de características de coloração e marcação associadas aos incas.

O achado foi posteriormente relacionado a relatos históricos por John Hemming, especialista em cultura inca e diretor da Real Sociedade Geográfica de Londres entre 1975 e 1996. Ele comparou testemunhos sobre Vilcabamba, incluindo as crônicas de Murúa, com os elementos identificados no local. A conclusão foi que as ruínas encontradas por Savoy e Santander correspondiam à cidade procurada.

Vilcabamba havia se tornado lendária depois que o rei Manco deixou Cusco, tomada pelos conquistadores espanhóis em 1536, e conduziu seu povo para as montanhas. A cidade teria reunido palácios, templos, tesouros, ídolos e múmias de ancestrais. Em 1572, durante uma invasão, os incas incendiaram o assentamento e fugiram. A selva então encobriu a última capital, mantendo sua localização desconhecida por séculos.

A área, em grande parte soterrada e tomada por cipós e raízes, ainda não foi completamente explorada. Savoy sustentava, em 1967, que parte do ouro e das joias poderia ter sido lançada em lagos e cavernas. Javier Fonseca, arqueólogo do Ministério da Cultura do Peru, afirmou em 2018 que o local permanecia sem perturbação e sem sinais de saque. Também existem relatos sobre outra cidade mais adiante na floresta, enquanto o chamado tesouro perdido dos incas continua sem localização confirmada.

Texto produzido pela Redação Diário de Contexto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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