O Banco Central reduziu de 2,1% para 1,2% a previsão de crescimento do consumo das famílias em 2026. A nova estimativa está no Relatório de Política Monetária, divulgado nesta quinta-feira (24), e indica uma expansão inferior à registrada em 2025, de 1,3%.
A revisão veio acompanhada de uma redução na projeção para o Produto Interno Bruto (PIB) deste ano, de 2% para 1,8%. O Banco Central informou que os primeiros indicadores do terceiro trimestre apontam atividade abaixo do que havia sido projetado. Também avaliou que a composição do resultado do segundo trimestre foi menos favorável.
O consumo já havia mostrado perda de ritmo no segundo trimestre, quando recuou 0,4% na comparação com os três meses anteriores. No primeiro trimestre, a alta havia sido de 0,8%. Na avaliação do Banco Central, o avanço no início do ano esteve associado ao reajuste do salário-mínimo e às mudanças no Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF), com isenção ou redução para as faixas iniciais de renda.
Embora o PIB agregado tenha apresentado resultado acima do esperado, o Banco Central disse que “os setores mais cíclicos da oferta e o consumo das famílias, por sua vez, surpreenderam em sentido oposto”. A instituição relaciona a revisão à perda de força da demanda doméstica ao longo de 2026.
Para 2027, a previsão é de crescimento moderado, de 1,4%. O consumo deverá ser afetado pela desaceleração do mercado de trabalho, pelo avanço mais lento da população ocupada e dos rendimentos. O Banco Central também considera que o endividamento e a parcela da renda destinada ao pagamento de dívidas permanecem elevados.

