O custo do Bolsa Família no orçamento federal chegará a R$ 162,4 bilhões em 2026 e a R$ 178,5 bilhões em 2027, após o reajuste de 15% anunciado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A correção começará na folha de pagamento de outubro, entre o primeiro e o segundo turno das eleições.
O impacto adicional estimado para este ano é de R$ 5,8 bilhões. O valor será somado à dotação orçamentária atual de R$ 156,6 bilhões. Para 2027, o governo estima uma despesa R$ 22,7 bilhões superior à prevista no projeto de lei orçamentária anual (PLOA), que prevê R$ 155,8 bilhões.
A previsão de gasto para 2027 representa um aumento de cerca de 1.380% em relação a 2004, quando o programa foi lançado. Considerando a atualização pela inflação, o custo anual naquele ano foi de R$ 12,1 bilhões.
Evolução do gasto
As despesas cresceram gradualmente até 2019, quando chegaram a R$ 46,8 bilhões. Em 2020, durante a pandemia de covid-19 e com a criação do auxílio emergencial para um público amplo, o gasto mais que triplicou e alcançou R$ 155,1 bilhões.
Em 2021, com a redução gradual e a extinção do auxílio emergencial, o então presidente Jair Bolsonaro elevou o piso do Bolsa Família para R$ 400 em outubro. Naquele ano, o programa custou R$ 58,3 bilhões.
Em 2022, quando Bolsonaro tentava a reeleição, foi criado em agosto um benefício adicional de R$ 200, válido até dezembro. O custo do programa chegou a R$ 103,5 bilhões.
Após o retorno de Lula ao poder, o piso de R$ 600 se tornou permanente, e foram criados benefícios adicionais para famílias com crianças pequenas e grávidas. A despesa atingiu R$ 184,8 bilhões em 2023, o maior valor da série apresentada.
Depois disso, o gasto diminuiu ano a ano com medidas de fiscalização, ações de combate à fraude e mudanças nas regras para a saída organizada do programa em casos de aumento de renda. A Advocacia-Geral da União afirmou que a correção pelo INPC não está sujeita a vedação eleitoral.


