O dólar à vista fechou a quinta-feira (17) em queda de 0,25%, a R$ 5,1392, depois de subir pela manhã em reação ao reajuste do Bolsa Família. A medida, anunciada pelo governo, tem impacto fiscal estimado em R$ 27,8 bilhões neste ano e no próximo.
Durante a sessão, a moeda norte-americana atingiu a máxima de R$ 5,1785, com alta de 0,52%, às 10h41. Ao longo do dia, porém, perdeu força e se aproximou da estabilidade. Com o resultado, o dólar passou a acumular baixa de 6,37% no ano.
O governo Luiz Inácio Lula da Silva informou pela manhã que os benefícios do Bolsa Família terão reajuste de aproximadamente 15%. O novo valor será aplicado aos pagamentos feitos em outubro, elevando o piso do programa de R$ 600 para R$ 691 por família. A equipe econômica afirmou que o aumento recompõe a inflação acumulada no benefício, que ainda não havia sido reajustado durante o governo Lula.
Impacto fiscal e cenário eleitoral
A estimativa oficial é que o reajuste custe R$ 5,8 bilhões em 2026 e R$ 22 bilhões em 2027. O aumento das despesas provocou reação negativa no mercado, em um momento de dificuldades para o equilíbrio das contas públicas.
O anúncio também ocorreu em meio à disputa pela Presidência. Pesquisa AtlasIntel/Bloomberg divulgada no início do dia mostrou o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) com 47,2% das intenções de voto no segundo turno, contra 46,8% de Lula. Com margem de erro de 1 ponto percentual, os dois permanecem tecnicamente empatados. No levantamento anterior, Flávio tinha 46,4%, e Lula, 46,2%.
A melhora da candidatura de Flávio tem sido associada ao chamado trade eleitoral, movimento relacionado à alta do Ibovespa e à queda do dólar e das taxas dos DIs. O mercado ainda demonstra desconfiança em relação a Lula e considera sua reeleição um obstáculo ao controle das contas públicas e da inflação.
Às 17h03, o dólar futuro para outubro recuava 0,29% na B3, a R$ 5,1515. No exterior, a moeda também caía diante do rand sul-africano e do peso mexicano. Às 17h06, o índice do dólar recuava 0,04%, a 100,220.
No fim da manhã, o Banco Central do Brasil vendeu 50.000 contratos de swap cambial tradicional para a rolagem de 1º de outubro, sem efeito sobre as cotações.


