Uma falha nos sistemas de GPS dos jatos E190-E2 e E195-E2, da família E2 da Embraer, levou ao cancelamento de mais de 80 voos da Azul nesta terça e quarta-feira. O problema também atingiu operações no Canadá e na Europa, em escala menor, e afetou uma frota global de mais de 200 aeronaves.
A Embraer criou uma sala de crise com a Honeywell, fabricante dos equipamentos eletrônicos instalados nos aviões. A empresa brasileira informou que acompanha relatos de instabilidade no sistema junto aos operadores e à fornecedora e que presta suporte técnico para resolver o problema.
Como funciona o sistema
Os jatos E2 usam o Primus Epic 2.0, um conjunto eletrônico desenvolvido pela Honeywell e incorporado ao projeto da Embraer depois de um acordo firmado em 2013. O sistema reúne telas de comando e dispositivos semelhantes a mouses de computador, permitindo aos pilotos alterar rotas em tempo real.
Também fazem parte da operação recursos como imagens 3D do terreno, alertas sobre montanhas, representação virtual da pista de pouso e radar meteorológico capaz de analisar tempestades em várias altitudes. Para operar com precisão, esse conjunto depende do sinal de GPS.
A pane foi identificada por alertas de perda de sinal nos dois receptores de GPS de alguns aviões. Com isso, os pilotos ficam impedidos de executar o procedimento RNP AR, uma aproximação de pouso guiada por satélite que exige alto grau de precisão e pode ser necessária em aeroportos com pistas curtas ou geografia difícil, como Congonhas.
Por que o avião continua podendo voar
A perda do GPS não elimina os demais recursos de navegação. As aeronaves comerciais contam com sistemas redundantes, entre eles sensores inerciais, que calculam o deslocamento a partir de um ponto inicial, e navegação por rádio baseada em antenas instaladas no solo.
Por isso, a decisão de manter os aviões no chão está relacionada aos limites operacionais, e não à possibilidade de a aeronave se perder. Sem o sistema de precisão disponível, ficam restritas as rotas, as condições climáticas permitidas para o pouso e o cumprimento de requisitos legais previstos para determinados voos.
A Embraer afirmou que a ocorrência pode afetar a programação das companhias, mas não a segurança de voo: “não há impacto na segurança de voo”.
Reinicialização provisória
Enquanto a solução definitiva não é liberada, equipes de manutenção passaram a realizar um procedimento chamado cold restart, ou reinicialização a frio. A operação corta a energia dos módulos de navegação por meio dos disjuntores, fazendo o sistema limpar a memória e reiniciar.
A medida pode permitir que o software volte a captar o sinal dos satélites e elimine a mensagem de erro, mas tem caráter provisório. A solução definitiva dependerá de uma atualização de software desenvolvida pela Honeywell e instalada pelas equipes de manutenção em cada aeronave.



