A Genu-in pretende assumir etapas que normalmente ficam distribuídas entre diferentes fornecedores no desenvolvimento de produtos com proteínas. A empresa criou a Genu-in Solutions, unidade que oferecerá às marcas um pacote com concepção, formulação, fabricação, avaliação regulatória, distribuição e estratégia de divulgação.
A divisão trabalhará no modelo white label, pelo qual uma empresa pode contratar o desenvolvimento de um produto pronto para chegar ao mercado com sua própria marca. A proposta amplia a atuação original da Genu-in, criada pela JBS em 2022 para transformar peptídeos de colágeno e gelatina em ingredientes destinados às indústrias de alimentos e de saúde.
Da matéria-prima ao produto final
A Genu-in recebeu um aporte de R$ 400 milhões no início de sua operação. Seus peptídeos de colágeno e sua gelatina são produzidos a partir da pele de bovinos da cadeia da JBS. Com a nova unidade, a companhia deixa de atuar apenas como fornecedora de ingredientes e passa a oferecer também o desenvolvimento completo de aplicações para clientes.
Ricardo Gelain, presidente da JBS Novos Negócios, afirma que a empresa identificou demanda crescente por produtos com proteínas, mas também dificuldades para que outras companhias cumpram todas as etapas necessárias à entrada nesse mercado. “Então, nosso plano é resolver tudo: da fabricação à distribuição”, disse.
A empresa já tem exemplos de produtos que incorporam seus ingredientes. Entre eles estão a Spaten Pro, cerveja zero álcool da Ambev com 10 gramas de proteína por embalagem, dos quais 25% vêm do colágeno da Genu-in, e a Mamba Water Protein, água enlatada da Better Drinks, investida da Heineken.
Agora, o portfólio em desenvolvimento inclui snacks, gomas, balas, barras, refeições prontas, chocolates, requeijão, produtos lácteos e bebidas da categoria ready to drink. A intenção é ampliar as formas de consumo e alcançar diferentes momentos do dia.
Avaliação regulatória e expansão
Uma das credenciais usadas pela Genu-in para atrair clientes é a aprovação regulatória de uma aplicação de seu colágeno. Em março deste ano, depois de estudos clínicos e de um processo de nove meses, a eficácia do ingrediente para uso específico na pele foi atestada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
Com esse aval, a companhia afirma ser a única empresa no mercado brasileiro autorizada a comunicar nos rótulos benefícios como firmeza e elasticidade da pele em produtos que utilizem essa proteína. A Genu-in também relaciona seus colágenos a propriedades ligadas à densidade óssea e à saúde de tecidos conjuntivos, cartilagens, ligamentos, pele, unhas e cabelos.
A expansão acompanha um mercado que, segundo estudo da Grand View Research citado por Gelain, deve movimentar US$ 101,62 bilhões globalmente em 2030. A projeção indica uma taxa de crescimento anual composta de 6,2% até esse período.
A empresa já exporta colágenos e gelatinas para mais de 20 países. Além da presença internacional da JBS, avaliada em US$ 13 bilhões, a nova unidade poderá utilizar a estrutura comercial da Genu-in e os canais de distribuição da companhia, incluindo as lojas da Swift.
Estrutura para atender clientes
A Genu-in Solutions já possui projetos em desenvolvimento com clientes no Brasil e em outros dois países, embora a empresa não tenha divulgado detalhes sobre o ponto de partida da unidade.
A operação conta com 250 profissionais em áreas como marketing, comercial, pesquisa e desenvolvimento. Nessa frente, a Genu-in dispõe do Centro de Inovação e Desenvolvimento de Colágeno, inaugurado em 2025 em Campinas, no estado de São Paulo, por meio de uma parceria entre a JBS e o Instituto de Tecnologia de Alimentos (Ital).
A fabricação é apoiada por uma planta em Presidente Epitácio (SP), com capacidade anual instalada de 6 mil toneladas para gelatinas e 6 mil toneladas para colágeno. A linha de colágeno está em processo de duplicação porque toda a capacidade atual já foi contratada.
Para Gelain, a divisão deve se tornar o principal motor da Genu-in e pode ocupar posição de destaque entre as 13 empresas da JBS Novos Negócios. A unidade também pretende atender empresas que não têm escala ou estrutura para competir sozinhas no segmento de alimentos e produtos fortificados com proteína.



