O Palácio do Planalto deve reunir dirigentes de clubes de futebol na terça-feira para avaliar os efeitos da medida provisória que proibiu as bets no país. Neste primeiro encontro, o governo pretende ouvir os representantes do setor e levantar os prejuízos provocados pela decisão. A análise de eventuais medidas de apoio ficará para uma etapa posterior.
A reunião deverá formar uma comissão com representantes dos clubes, que reagiram ao anúncio feito na última sexta-feira pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Empresas de apostas on-line já comunicaram a equipes patrocinadas que podem encerrar contratos, levando dirigentes a alertar para dificuldades no cumprimento de compromissos financeiros nos próximos meses.
Impacto nos patrocínios
O Flamengo recebe R$ 268,5 milhões por temporada da Betano e afirma não ter uma alternativa para substituir essa receita. O presidente do clube, Luiz Eduardo Baptista, conhecido como Bap, estima que a proibição possa causar prejuízo de até R$ 400 milhões no orçamento do próximo ano.
O Fluminense também foi informado pela Superbet sobre a possibilidade de encerramento do contrato de patrocínio, válido até o fim de 2029 e com valor de R$ 58 milhões anuais. Em nota divulgada antes do anúncio da medida provisória, o clube reconheceu a legitimidade do debate sobre as apostas e defendeu um período de transição caso as regras sejam modificadas.
A justificativa central do governo é combater o superendividamento das famílias brasileiras. A medida proíbe jogos de azar on-line, incluindo o caça-níquel conhecido como jogo do tigrinho, jogos de colisão, como o aviãozinho, roletas virtuais e apostas esportivas.
Com a publicação da medida provisória, os apostadores não podem fazer novos depósitos ou transferências para as plataformas. Os sites continuarão disponíveis apenas para o resgate dos saldos, permitido voluntariamente até as 23h59 de 5 de outubro. Empresas que dificultarem os saques estarão sujeitas a sanções administrativas e criminais por apropriação indébita.
À meia-noite de terça-feira, 6 de outubro, a Agência Nacional de Telecomunicações e o Comitê Gestor da Internet deverão bloquear os sites e determinar a remoção dos aplicativos, conforme o cronograma elaborado pelo Ministério da Fazenda.



