SÃO PAULO — O Ministério da Saúde e a Empresa Brasileira de Hemoderivados e Biotecnologia (Hemobrás) anunciaram ações para ampliar o abastecimento de imunoglobulina humana no país. Entre as medidas está a destinação de R$ 50 milhões do Novo Programa de Aceleração do Crescimento (Novo PAC) à construção de um laboratório de pesquisa e desenvolvimento da estatal.
As obras estão planejadas para 2026 e 2027. A primeira etapa do projeto deve durar 18 meses. A Hemobrás também emprega R$ 150 milhões do programa na compra de 104 equipamentos para a linha de produção de imunoglobulina da fábrica de Goiana (PE). Até agora, 47 equipamentos foram entregues, 20 estão em construção e os demais já foram contratados.
Desde 2025, o governo federal investe R$ 116 milhões na aquisição de 604 equipamentos de cadeia fria para 125 serviços de hemoterapia distribuídos por 27 estados. A expectativa é aumentar em cerca de 30% a capacidade de armazenamento de plasma.
Durante um evento na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), na Capital Paulista, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, anunciou ainda um incentivo mensal de R$ 38 milhões aos serviços de hemoterapia. Os repasses serão vinculados a critérios de qualidade, eficiência e fornecimento de plasma.
Acordos para medicamentos
A Hemobrás assinou um protocolo de intenção com a farmacêutica chinesa Tiantan Bio para estudar uma cooperação relacionada à imunoglobulina humana intravenosa a 10%. O entendimento contempla a possibilidade de registro do produto no Brasil, fornecimento à estatal e transferência de tecnologia para a produção nacional. Os termos ainda serão definidos.
Outro protocolo foi firmado com a Roche para avaliar uma parceria envolvendo o emicizumabe, medicamento usado no tratamento da hemofilia. A iniciativa pode resultar em uma Parceria para o Desenvolvimento Produtivo (PDP), desde que sejam atendidas exigências regulatórias e obtida a anuência da Chugai, detentora da tecnologia.
A Hemobrás também iniciou uma frente de pesquisa para desenvolver terapia gênica contra as hemofilias A e B. A iniciativa reúne a UFMG, por meio da FarmaVax, a Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii) e a Fundação de Desenvolvimento da Pesquisa (Fundep).
Com investimento de R$ 4,956 milhões e duração de 12 meses, o projeto pretende criar uma solução baseada em nanopartículas para transportar material genético e chegar a um candidato a produto para avaliação pré-clínica. A presidente da Hemobrás, Ana Paula do Rego Menezes, afirmou: "Estamos lidando com profissionais, times e empresas de grande seriedade e relevantes para o nosso País".



