LONDRES — A Novo, antiga Novo Nordisk, planeja lançar mais de cinco medicamentos com potencial de grande sucesso comercial até 2030. A farmacêutica dinamarquesa pretende diversificar seu portfólio diante da concorrência crescente em tratamentos contra a obesidade e da perda de exclusividade da semaglutida nos Estados Unidos em 2032.
A patente da substância presente no Ozempic e no Wegovy perderá exclusividade no mercado americano, responsável por mais da metade das vendas da companhia no ano passado. O CEO Mike Doustdar reconheceu que esse é um dos principais pontos de atenção para os investidores. "O elefante na sala é a perda de exclusividade da semaglutida", afirmou durante o Capital Markets Day da empresa, realizado em Londres nesta segunda-feira, 21.
A Novo estabeleceu como objetivo gerar mais de 150 bilhões de coroas dinamarquesas, cerca de US$ 23 bilhões, em vendas ajustadas ao risco com novos produtos até 2035. A empresa também espera crescer entre 2026 e 2030 em ritmo semelhante ao de outras grandes farmacêuticas, mas não divulgou uma previsão mais precisa.
Reação dos investidores e próximos produtos
A falta de informações detalhadas sobre os medicamentos pressionou as ações. Os papéis da Novo chegaram a recuar 8% em Copenhague nesta segunda-feira (21). Depois, reduziram a perda para 4,35%, cotados a 269 coroas dinamarquesas, por volta das 8h45 no horário de Brasília.
O economista Per Hansen, da Nordnet, atribuiu a venda dos papéis à ausência de novidades concretas capazes de impulsionar a cotação. O diretor-científico Martin Lange afirmou que os estudos seguem em andamento e que ainda há poucos dados disponíveis.
A estratégia não se limitará a substitutos do Ozempic e do Wegovy. Diabetes e obesidade continuarão no centro dos negócios, enquanto a empresa busca ampliar sua presença em doenças do sangue e endócrinas, enfermidades hepáticas e cardiovasculares. Também estão em avaliação pesquisas em saúde feminina e masculina, dor e dependência.
A partir de 2027, a Novo pretende iniciar estudos em humanos com 15 novos medicamentos por ano. A empresa também não descarta parcerias e aquisições para complementar sua carteira.
Disputa no mercado de obesidade
O cenário ocorre após resultados clínicos abaixo das expectativas e com o avanço da Eli Lilly, fabricante do Mounjaro e do Zepbound. Nos últimos 12 meses, as ações da Novo acumulavam queda de 29,74%, enquanto as da concorrente americana subiam 52,72%.
Entre os projetos mais relevantes está o CagriSema, tratamento injetável de próxima geração contra a obesidade. Analistas avaliam que outros possíveis motores de crescimento ainda estão em fases iniciais, o que eleva o risco de fracasso.
A Novo pretende ter pelo menos cinco medicamentos orais contra a obesidade em estudos clínicos até o fim deste ano. Segundo Mike Doustdar, a versão oral do Wegovy já alcançou sete milhões de prescrições nos Estados Unidos. A companhia planeja multiplicar por dez sua capacidade de produção para atender 15 milhões de pacientes com tratamentos orais até o fim da década.
No total, a meta é chegar a mais de 60 milhões de pacientes no mundo até 2030.


