AMAPÁ — A Petrobras confirmou a presença de elementos essenciais para um sistema petrolífero na costa do Amapá, mas ainda não sabe qual é o volume de petróleo descoberto. A dimensão dos reservatórios será determinante para definir se a área poderá ser desenvolvida comercialmente.
A avaliação foi apresentada nesta sexta-feira (2), durante uma entrevista sobre a descoberta no poço Morpho, no bloco FZA-M-59, na Bacia da Foz do Amazonas. A estatal identificou sinais de geração e migração de petróleo, além de um reservatório e de uma camada capaz de manter os hidrocarbonetos acumulados.
“O que está faltando? Volume”, afirmou Sylvia Anjos, diretora de Exploração e Produção da Petrobras. Esse dado será usado para verificar se a quantidade encontrada pode compensar os investimentos necessários à instalação da estrutura de produção.
Delimitação da descoberta
A Petrobras pretende perfurar três novos poços para medir a extensão dos reservatórios. A mobilização de uma nova sonda está prevista para o primeiro trimestre de 2027. Só depois dessa etapa será possível avaliar com mais precisão o tamanho da acumulação e sua viabilidade econômica.
A presidente da estatal, Magda Chambriard, disse que os resultados aumentaram a confiança no potencial da região, embora ainda não permitam garantir a abertura de uma nova fronteira exploratória. Para explicar a diferença que o volume pode fazer, ela comparou a descoberta à possibilidade de se estar diante de um Maracanã ou de um Maracanãzinho: uma acumulação maior poderia pagar a instalação necessária, enquanto uma menor poderia tornar a produção antieconômica.
Qualidade do petróleo
Magda também afirmou que o petróleo encontrado no segundo reservatório é de boa qualidade. A Petrobras não divulgará, por enquanto, dados sobre o grau API, a profundidade das formações, a espessura dos reservatórios e a produtividade dos intervalos.
Essas informações estão protegidas por sigilo regulatório pelos próximos dois anos. A presidente ressaltou que a qualidade do óleo, isoladamente, não garante a viabilidade do projeto. Segundo ela, a descoberta precisa ter porte suficiente para gerar receita capaz de pagar os custos da instalação e da produção.


