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Ciência

Estudo indica que coração transplantado pode acompanhar idade do receptor

Pesquisa preliminar associou transplantes de coração a mudanças em marcadores moleculares de envelhecimento, em camundongos e humanos.

Estudo indica que coração transplantado pode acompanhar idade do receptor
Foto: luuuusa/Adobe Stock

Uma pesquisa coordenada por Jesse Poganik, da Universidade Harvard, indica que corações transplantados podem sofrer uma adaptação parcial à idade do receptor. Órgãos de doadores mais velhos pareceram adquirir características moleculares mais próximas das encontradas em organismos jovens; no sentido inverso, corações jovens tenderam a acompanhar sinais de envelhecimento de receptores mais velhos.

Os resultados ainda são preliminares. Poganik publicou uma versão da pesquisa na plataforma bioRxiv no dia 17 do mês passado, e o trabalho ainda precisa passar pela revisão por pares antes de ser publicado em um periódico acadêmico. Até agora, a conclusão se aplica apenas a transplantes de coração.

O que foi observado nos animais

As primeiras evidências vieram de experimentos com camundongos. Os animais mantiveram seus próprios corações e receberam um segundo órgão, conectado à artéria carótida e à veia jugular. Os doadores tinham idades entre três meses e mais de um ano e meio, enquanto os receptores pertenciam a diferentes fases da vida dos roedores.

Depois de meses de funcionamento dos órgãos transplantados, os pesquisadores analisaram marcadores moleculares associados ao envelhecimento das células cardíacas. Foram avaliadas a expressão gênica, que indica quanto determinadas regiões do DNA são utilizadas na produção de proteínas, e a metilação, processo relacionado à presença de grupos metila em pontos específicos do DNA.

Com dados de outros estudos e ferramentas de aprendizado de máquina, a equipe verificou que os padrões de envelhecimento dos corações transplantados passaram a se aproximar dos padrões dos receptores. Um órgão mais velho, quando colocado em um animal jovem, apresentava sinais de rejuvenescimento molecular. O efeito se invertia quando o receptor era mais velho.

Dados de transplantes em humanos

A equipe depois analisou biópsias de corações transplantados a partir de bancos de dados do Brigham and Women’s Hospital, em Boston. Foram considerados 11 transplantes com diferença significativa de idade entre doador e receptor. Nos casos de doadores jovens e receptores mais velhos, a diferença variava entre 38 anos e 50 anos. Quando os receptores eram mais jovens e os doadores, mais velhos, o intervalo ficava entre 8 anos e 24 anos.

Poganik afirmou que os efeitos observados nos pacientes eram os mesmos identificados nos camundongos. Isso não significa que o órgão reverta completamente seu envelhecimento. Todos os corações analisados pareceram envelhecer um pouco, possivelmente em razão do estresse provocado pela transferência entre indivíduos. Além disso, algumas características funcionais permaneceram mais semelhantes às de uma pessoa mais velha mesmo depois do transplante.

Atualmente, a recomendação mais comum é usar como doadores de coração pessoas que morrem com menos de 45 anos. Se os resultados forem confirmados, a pesquisa poderá sustentar a ampliação desse grupo, aumentando a possibilidade de aproveitamento de órgãos para transplante.

Texto produzido pela Redação Diário de Contexto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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