RIBEIRÃO PRETO — A Autorização Eletrônica de Doação de Órgãos (AEDO) já recebeu 9.399 solicitações em São Paulo desde o lançamento do serviço, em 2024. Em Ribeirão Preto, foram registradas 195 manifestações. A data de 27/9, marcada pelo Dia Nacional de Doação de Órgãos, reforça a importância de comunicar à família a decisão de ser doador.
São Paulo lidera o número de registros no país, à frente de Paraná (3.818), Rio de Janeiro (2.930), Minas Gerais (2.172) e Rio Grande do Sul (2.012). Há solicitações em todas as unidades da Federação.
A mobilização ocorre enquanto a demanda por transplantes continua elevada. Dados do Ministério da Saúde indicam que mais de 49 mil pessoas aguardam um transplante no Brasil, incluindo cerca de 45 mil pacientes à espera de um rim. Na fila por uma córnea, há 37.719 pessoas, conforme levantamento do Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO). O número é 15% maior que o registrado em dezembro de 2025.
A retirada de órgãos após a morte depende da autorização da família, mesmo quando o potencial doador declarou em vida esse desejo. A taxa média de recusa familiar é de aproximadamente 45%. Entre os motivos citados estão o desconhecimento sobre a vontade da pessoa, além de dúvidas e receios relacionados ao procedimento.
A AEDO foi criada pelo Colégio Notarial do Brasil – Conselho Federal (CNB/CF), por meio da plataforma e-Notariado, e regulamentada nacionalmente pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ). O serviço é gratuito, digital e permite indicar quais órgãos, tecidos ou partes do corpo a pessoa deseja doar.
Ana Paula Frontini, presidente do Colégio Notarial do Brasil – Seção São Paulo (CNB-SP), afirmou que “São Paulo concentra a maior quantidade de manifestações do país”. Para ela, o resultado mostra o alcance da ferramenta e a necessidade de ampliar a informação e as conversas familiares sobre a doação.
Como registrar a decisão
O interessado acessa a AEDO no e-Notariado, preenche os dados e escolhe um Cartório de Notas. Depois, participa de uma videoconferência com o tabelião para confirmar a identidade e a vontade. O documento é assinado eletronicamente e passa a integrar a Central Nacional de Doadores de Órgãos, consultada por profissionais autorizados do Sistema Nacional de Transplantes.
A autorização pode indicar órgãos, tecidos ou partes do corpo e ser revogada a qualquer momento. Todo o processo é feito de casa, sem comparecimento presencial ao Cartório.



