O artigo sustenta que a memória histórica é necessária para compreender a crise política e institucional brasileira. A partir do símbolo Sankofa, representado por um pássaro que olha para trás enquanto avança e carrega um ovo, o autor afirma que o passado deve orientar as decisões do presente e impedir a repetição de ciclos de destruição.
A análise concentra-se em uma reunião do Supremo Tribunal Federal ocorrida em 15/9. Na avaliação apresentada, a sessão teria sido utilizada para objetivos eleitorais e contribuído para ampliar a instabilidade institucional. O texto atribui ao ministro André Mendonça um papel central nesse processo e questiona sua trajetória desde a nomeação para o Ministério da Justiça até a indicação ao STF pelo então presidente Jair Bolsonaro.
Críticas a decisões no Supremo
O autor afirma que Mendonça teria recorrido a acusações contra o procurador-geral da República e a Polícia Federal, posteriormente reconhecidas como infundadas pelo próprio ministro, além de vazamentos seletivos relacionados a uma possível corrupção envolvendo o ministro Alexandre de Moraes. Na interpretação do artigo, essas iniciativas favoreceriam a candidatura de Flávio Bolsonaro e de outros candidatos alinhados ao bolsonarismo.
O texto também critica o apoio recebido por Mendonça dos ministros Fux e Fachin e menciona a ministra Carmen Lucia. Segundo a análise, esse grupo poderia contribuir para alterar o perfil do STF, controlar a Polícia Federal e proteger interesses políticos. O autor ainda afirma que haveria pressões internacionais sobre ministros como Gilmar Mendes e Flavio Dino, com risco para a autonomia da corte.
A Petição 16.662 aparece como um dos pontos centrais da argumentação. De acordo com o artigo, a decisão imporia o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e paralisaria ações da instituição. O autor menciona que Fuchs e Kassio Nunes Marques teriam votado pela aprovação em poucos minutos, às 10:04 e 10:06h, depois do início da sessão às 10 h. A partir disso, reproduz a avaliação atribuída a Gilmar Mendes de que os votos poderiam ter sido combinados antes ou não teriam exigido reflexão sobre a relevância do tema.
O artigo também cita um voto de 14 horas de Fux em favor da absolvição de Jair Bolsonaro em uma acusação de tentativa de golpe de estado e afirma que o ministro precisou de 4 minutos para referendar o parecer de Mendonça relacionado à crise.
Memória, mobilização e eleições
Na conclusão política, o autor associa a crise do STF a riscos de corrupção, interferência bolsonarista no processo eleitoral, atuação de milícias armadas e participação do Governo Norte Americano. A avaliação é de que as instituições estariam ameaçadas mesmo com a eleição de Lula e de que manifestações nas ruas e nas mídias seriam necessárias para exigir esclarecimentos e punições.
O texto termina com a indicação do filme Virtuosas, dirigido por Cintia Dommit Bittar, cuja estreia é anunciada para 24 de setembro, em vários cinemas do Brasil. A produção teria sido concebida há 5 anos e é apresentada como ponto de partida para discussões sobre a nova direita feminina, o protagonismo das mulheres e o cenário político brasileiro.
O autor afirma ainda que existem 18 milhões de brasileiros com mais de 70 anos e defende a participação desse grupo nas eleições por considerar que essas pessoas guardam a memória de períodos anteriores do país. Zezé Polessa é citada como alguém que comenta o tema no contexto da divulgação do filme.


