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Justiça

Cleo Santos transformou tampas de quentinhas em ponto de partida para a escrita

Após a prisão, escritora criou um projeto para acolher mulheres e oferecer oportunidades por meio de atividades e escuta.

Cleo Santos transformou tampas de quentinhas em ponto de partida para a escrita

Cleo Santos começou a escrever dentro do sistema prisional, quando não tinha acesso fácil a papel e caneta e ainda enfrentava dificuldades para colocar no papel aquilo que sabia ler. As tampas das quentinhas servidas no cárcere se tornaram o suporte para os primeiros textos.

A escrita ganhou força depois que Cleo recebeu a notícia da morte da mãe. Ela não pôde comparecer ao enterro. A lembrança da perda deu origem ao poema “A Última Chamada”, seu primeiro texto, e abriu caminho para o livro autobiográfico “Das Grades à Liberdade”.

A escritora afirma que começou a escrever cerca de 13 meses depois de entrar no sistema prisional. Para conseguir materiais e apoio, trocava alimentos e outros itens disponíveis com as demais mulheres. Aos poucos, passou a usar a escrita para organizar a própria trajetória e narrar experiências que, até então, não conseguia expressar.

A história que Cleo revisita começa antes do encarceramento. Ela conta que foi encontrada no lixo e criada pela mãe que a acolheu. Também relata ter vivido uma relação marcada por violência psicológica com um homem usuário de drogas. Quando foi presa, diz que ele a abandonou.

A distância do filho é apontada por Cleo como uma das experiências mais difíceis do período. O jovem estava em casa quando ela foi presa e havia completado 18 anos pouco mais de um mês antes. Segundo o relato da escritora, os dois foram levados e posteriormente condenados, embora ela afirme que o filho não tinha relação com o crime. Enquanto Cleo cumpria pena em regime fechado, ele teve acesso ao semiaberto e conseguiu visitá-la durante as saídas. O reencontro entre os dois ocorreu depois de mais de dois anos, dentro do cárcere.

Cleo também rejeita a ideia de romantizar a prisão. Para ela, a escassez do sistema prisional é acompanhada, depois da libertação, por barreiras sociais e dificuldades para obter acolhimento. A frase “Meu passado não me define” passou a orientar a forma como encara essa etapa.

Ao deixar a prisão, ela encontrou apoio de pessoas que lhe ofereceram oportunidades de trabalho. Entre elas estava Luciana, uma cabeleireira procurada por Cleo pouco depois da saída. Luciana a indicou a Fabiano Dourado, que trabalhava com produtos voltados ao público feminino e buscava pessoas interessadas em empreender. Cleo começou a vender produtos e se tornou empreendedora.

A experiência de precisar que alguém abrisse uma porta levou à criação do projeto Empodera Mulher. De volta à comunidade, Cleo passou a ouvir mulheres que, como ela, se sentiam silenciadas. Com a retirada de algumas paredes de sua casa, criou um espaço para encontros e atividades de manicure, empreendedorismo, literatura e culinária.

O projeto atende mulheres egressas do sistema prisional e moradoras da comunidade. Para Cleo, esses grupos compartilham a falta de oportunidades e a necessidade de serem ouvidos. A iniciativa procura oferecer acolhimento e condições para que outras mulheres encontrem caminhos próprios.

Em “Das Grades à Liberdade”, Cleo reúne temas como maternidade, exclusão social, violência, perdas e os desafios de reconstruir a vida depois do cárcere. A obra parte da experiência de escrever sobre o que seria descartado e transforma essa memória em uma narrativa de reconstrução.

Texto produzido pela Redação Diário de Contexto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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