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Justiça

Livro reúne saberes kaingang e reforça defesa de território em Porto Alegre

Obra de Kapri Audisséia Nascimento Padilha foi construída com a cacica Iracema Gãh Té Nascimento e participação de crianças da aldeia.

Livro reúne saberes kaingang e reforça defesa de território em Porto Alegre

A Aldeia Gah Re, no morro Santana, zona leste de Porto Alegre, recebeu no domingo (13) um encontro de lançamento de Gaton – A Força da Terra. Escrito por Kapri Audisséia Nascimento Padilha, o livro reúne histórias, memórias e conhecimentos do povo kaingang, tendo como principal fonte os relatos de sua mãe, a cacica Iracema Gãh Té Nascimento.

A obra foi construída em um processo coletivo que também envolveu as antropólogas Ana Letícia Meira Schweig, responsável pela edição e pelo projeto gráfico, e Geórgia Macedo, que atuou na produção cultural e na escrita. Mãe e filha participaram da seleção dos relatos e da definição dos temas, em reuniões e conversas sobre trajetórias e experiências da comunidade.

As crianças da aldeia acompanharam o desenvolvimento do livro e ouviram as narrativas dos mais velhos. Depois, imaginaram formas de representá-las visualmente nas oficinas de desenho conduzidas por Ana Letícia. As ilustrações produzidas nesses encontros passaram a integrar a publicação, aproximando a transmissão oral da participação infantil e da preservação da cultura kaingang.

Memória e defesa do território

Para Kapri, a publicação realiza um desejo antigo de Iracema: registrar os saberes kaingang para que possam ser transmitidos entre gerações. O lançamento na aldeia também expressa a dimensão política do projeto. A comunidade Gah Re retomou o território do morro Santana em 2022 e espera que o livro chegue a Brasília e contribua para o debate no Poder Judiciário sobre a importância das terras indígenas. “A gente espera, a Comunidade Indígena kaingang Gah Re, que isso ecoa até o pessoal que está lá em Brasília”, disse Kapri.

Geórgia Macedo afirmou que sua colaboração com Iracema faz parte de uma trajetória de trabalho com povos indígenas e produção cultural. No projeto, ficou encarregada das exigências burocráticas, como documentos, prazos e prestação de contas relacionados ao edital público.

Iracema explicou que decidiu registrar as histórias por preocupação com as novas gerações e com a dimensão espiritual de seus ensinamentos. “Estou vendo muitos filhos da Terra se perderem”, afirmou.

O próximo lançamento está marcado para quarta-feira (16), das 14h às 16h, no Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH/UFRGS), com mediação de Geórgia Macedo.

Texto produzido pela Redação Diário de Contexto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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